November 7, 2025
Belém, Brasil (7 de novembro de 2025) – Enquanto líderes mundiais se reúnem esta semana em Belém para o que está sendo chamado de “COP da Amazônia”, a Conservação Internacional faz um apelo por uma mudança decisiva na forma como as nações financiam e priorizam as soluções para o clima e a natureza.
Rachel Biderman, vice-presidente sênior para as Américas da Conservação Internacional afirmou:
“Nos reunimos esta semana em Belém, no coração da Amazônia, por um motivo. O mundo agora reconhece uma verdade fundamental: não podemos deter as mudanças climáticas sem proteger a natureza. Esta não é apenas mais uma conferência do clima em uma novacidade. A COP30 é a COP da Amazônia, uma oportunidade geracional para elevar e fortalecer a relação entre as pessoas, a natureza e o nosso clima. As metas do Acordo de Paris não serão alcançadas se perdermos a Amazônia. A história lembrará se não aproveitarmos esta oportunidade para protegê-la.”
“O momento é agora para estabelecer as bases de uma nova era de financiamento climático — uma que coloque a natureza e as pessoas no centro das decisões e das ações. No momento, o progresso está atrasado em relação à ambição, porque os maiores emissores têm enfrentado dificuldades para transformar compromissos em ações reais, e os países mais ricos não conseguiram mobilizar os recursos necessários. Ao buscarmos fechar uma lacuna anual de US$ 1,3 trilhão em financiamento climático, cabe a esses líderes transformar suas palavras em ações — caso contrário, todo o resto será irrelevante.”
“Fechar essa lacuna começa com a capitalização do FundoFlorestas Tropicais para Sempre (Tropical Forests Forever Facility – TFFF), que pode mudar a escala do investimento global para conservar e restaurar florestas tropicais. Nesse processo, precisamos garantir que pelo menos 20% dos recursos cheguem diretamente aos povos indígenas e comunidades locais, que têm demonstrado ser os mais capazes de manter as florestas em pé.”
“Líderes indígenas estarão presentes em número sem precedentes na COP30. A tarefa não é apenas ouvi-los, mas agir conforme o que há muito tempo têm deixado claro: o progresso duradouro depende de canalizar recursos para as comunidades que protegeram suas terras por séculos. A Conservação Internacional parabeniza o novo compromisso de US$ 1,8 bilhão de doadores para apoiar os Povos Indígenas e as Comunidades Locais e trabalhará ativamente para implementá-lo.”
“À medida que os negociadores avançam na definição dos padrões para a comercialização de créditos de carbono sob o Artigo 6.4 do Acordo de Paris, devemos garantir que as soluções climáticas naturais de alta qualidade continuem elegíveis para receber créditos e serem comercializadas. Mesmo que o mundo milagrosamente encerrasse o uso de combustíveis fósseis amanhã, ultrapassaríamos nossas metas climáticas se não protegermos e restaurarmos a natureza. Precisamos utilizar todas as ferramentas financeiras disponíveis para isso. Isso deveria ser evidente para os líderes reunidos em Belém, onde o valor da Amazônia é onipresente.”
“O retorno do mundo ao Brasil remete a 1992, quando milhares de representantes de mais de 180 países se reuniram no Rio de Janeiro para enfrentar as crescentes preocupações ambientais. Como resultado, foi adotado o chamado “Trio do Rio” – a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD). Foi, com razão, saudado como um momento que mudou paradigmas: o início do movimento climático moderno.”
“Devemos canalizar esse mesmo espírito, reafirmando o compromisso de enfrentar em conjunto esses desafios interconectados: as mudanças climáticas, a perda da biodiversidade e a degradação da terra. A colaboração global é desafiadora, especialmente agora, mas não há substituto. Os negociadores discutirão diferenças políticas sutis e examinarão palavras, como em qualquer COP, mas também devemos ousar imaginar mais.”
“A humanidade tem demonstrado, ao longo da história, ser capaz de feitos extraordinários diante da adversidade — e devemos aspirar ao mesmo. Líderes que recorrerem a meias medidas — ou pior — serão julgados severamente pela história. O resto de nós deve ter a coragem de pensar maior e lutar com mais força pelo planeta que chamamos de lar.”