​​​​


Índice de Saúde da Água avalia condições da Bacia do Rio Guandu

Ferramenta cientí​fica traz metodologia inovadora para gestão da água no Brasil

Um dos recursos essenciais para a humanidade, a água doce, agora pode ter sua condição avaliada por meio do Índice de Saúde da Água (ISA). Construído sobre uma base científica sólida pela Conservação Internacional, o ISA pode facilitar a comunicação sobre a saúde de uma bacia hidrográfica através de vários indicadores que muitas vezes não estão incluídos na gestão dos recursos hídricos. São avaliadas três dimensões da saúde da água para obtenção de um diagnóstico completo:

 

·       Vitalidade do Ecossistema: trata-se da condição física e biológica da bacia necessária para fornecer os benefícios que as pessoas dependem, direta e indiretamente;

·       Serviços ecossistêmicos: indicam se a bacia está entregando os benefícios relacionados a sistemas de água doce, por exemplo, abastecimento humano e controle sedimentos, para seus usuários;

·       Governança e Partes Interessadas: representa a estrutura e os processos pelos quais as pessoas que atuam na região da bacia tomam decisões sobre os recursos hídricos.

"O diferencial do ISA é que ele pode ser usado para escolha de práticas e manejo dos recursos hídricos, garantindo o fornecimento de água para consumo e para lazer. O ISA também permite que sejam avaliados diferentes cenários futuros da bacia orientando decisões para minimizar impactos na disponibilidade da água.", explica Bruno Coutinho, Diretor de Gestão do Conhecimento da Conservação Internacional.

 

No Brasil, o projeto foi aplicado na Bacia do Rio Guandu, que abastece cerca de 10 milhões de pessoas na região metropolitana do Rio de Janeiro. Fizeram parte do processo de elaboração do ISA, membros do Comitê Guandu-RJ, o qual reúne poder público, sociedade civil e indústrias que atuam na região da bacia.


O ISA usa uma escala de 0 a 100, sendo que 100 indica a condição ideal e 0 a pior condição. A bacia do Guandu, por enquanto, está fornecendo de forma adequada os benefícios esperados dela, já que o componente de Serviços Ecossistêmicos apresentou pontuação de 74. No entanto, como a pontuação de Vitalidade do Ecossistema (42) é relativamente baixa, o fornecimento de água se torna não sustentável em longo prazo.

 

Financiado pelo Centro de Água para América Latina e Caribe, a aplicação do ISA na América Latina incluiu duas bacias hidrográficas além do Guandu, a bacia Alto Mayo no Peru e a bacia Bogotá na Colombia. No Brasil, o desenvolvimento do ISA contou com vários parceiros: Comitê Guandu-RJ, AGEVAP (Agência da Bacia do Guandu), Ministério Público do Rio de Janeiro e da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN). "Esperamos que aplicação do ISA na América Latina ajude a implementar a gestão integrada dos recursos hídricos de forma sustentável e quitativa baseada em informações técnicas multidisciplinares. Acreditamos que o ISA é uma plataforma eficiente para trocar conhecimentos e experiência dentro de uma 'comunidade de prática', já que os desafios na região são similares, o que pode facilitar a catalização de soluções inovadoras e o planejamento estratégico dos recursos hídricos na América Latina.", explicam Maíra Bezerra e Natalia Acero, da Conservação Internacional em Arlington, nos Estados Unidos e de Bogotá, na Colômbia, respectivamente.

 

Informações para a imprensa:

Priscila Steffen – Conservação Internacional

psteffen@conservation.org

(21) 2173-6389 / 99032-5690