Proteger a natureza todos dependemos para comida, água fresca e meios de subsistência

Conheça a história de Maria da Paz e da comunidade Tupana, na Amazônia, para proteger a pesca na região

junho 29, 2020

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A manauara Maria da Paz se apaixonou pelo “paraíso” e quis fazer de lá a sua morada. A comunidade Tupana é um vilarejo com quase 100 famílias do estado do Amazonas que margeia o rio de mesmo nome e se localiza ao lado da BR-319 — estrada que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO). A pequena comunidade tem todas as qualidades que a Amazônia pode oferecer: uma biodiversidade rica, lindas paisagens, fartura e um povo que vive no local há muitas gerações — conhecendo o lugar como a palma da mão. No lugar que conquistou seu coração e alma desde que conheceu pela primeira vez, em 2012, Maria da Paz passou a mediar um acordo de pesca que será firmado com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema-AM) e apoiado pelo projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia.

A proposta de um acordo de pesca chegou na comunidade em maio de 2019 com certa resistência. Os pescadores locais imaginaram que um marco como esse poderia exigir demais ou modificar o dia a dia daqueles que já tinham uma rotina própria para tirar o sustento. Maria da Paz, por outro lado, enxergou na iniciativa uma oportunidade de proteger os próprios que resistiam à novidade.

“Eu observava que muitas pessoas de fora vinham e faziam a pesca na temporada de seca — período de reprodução dos peixes —, levando um volume muito grande de mercadoria. Se esse desequilíbrio na natureza continuasse, a fartura só seria possível em cinco ou seis anos e isso prejudicaria os pescadores locais que dependem diariamente da pesca para colocar comida na mesa. Eu queria mostrá-los que o acordo seria ótimo para proteger tanto eles quanto a natureza”, contou Maria da Paz.

O começo

A moradora usou de sua experiência como professora — além do espírito de lutadora que herdou da geração de mulheres da sua família — para explicar o benefício do acordo para os moradores. Em questão de meses, eles passaram a apoiar o acordo. Não muito tempo depois, ela se tornou peça fundamental na negociação entre a Sema-AM e a comunidade para estabelecer os itens do acordo. Os pescadores agora sabem que ao seguirem as diretrizes do acordo conseguirão promover a manutenção sustentável da pesca e da geração de renda para a comunidade.

O instrumento estabelece regras para o manejo dos ambientes aquáticos da região. Enquanto o governo reconhece o direito de uso dos recursos pesqueiros para as populações tradicionais do interior do Amazonas, esses se comprometem a utilizar os recursos de forma sustentável. Dessa forma, a iniciativa proporciona condições para que o estoque pesqueiro da região possa ser recuperado de forma gradativa. “As regras geram uma possibilidade de nunca faltar”, animou-se Maria da Paz. O projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia, financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente, executado pela Conservação Internacional, implementado pelo Banco Mundial e coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente apoia, pelo menos, mais quatro acordos de pesca e espera estender para dez outras comunidades na região amazônica. Essas atividades são negociadas e implementadas por meio da parceria técnica com a Sema-AM.

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