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Podemos limitar o aquecimento global em 1,5°C, com a ajuda da natureza

outubro 21, 2018

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Podemos limitar o aquecimento global em 1,5°C, com a ajuda da natureza


             por SHYLA RAGHAV, líder de Mudanças Climáticas da Conservação Internacional

 

                Se você se sentir triste com o estado atual do clima no planeta, você não é o único.

              Um novo relatório publicado em 8 de outubro traz um aviso ameaçador: o mundo está a caminho de superar o limite da sua temperatura média global e os efeitos das mudanças  climáticas estão cada vez mais visíveis.

              Mesmo com os compromissos assumidos até hoje a partir do Acordo de Paris de 2015, o maior acordo global sobre mudanças climáticas, vamos superar as metas de emissão de carbono, em poucos anos, ao invés de diminuí-las.

              O relatório publicado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) revela que aumentar a temperatura global além da média de 1,5°C é uma realidade e alerta que perigos graves poderão ser enfrentados pela humanidade, se não superarmos o problema, rapidamente.

              O problema é: a maioria dos acordos políticos sobre mudanças climáticas, utilizam como referência 2°C, ainda que se saiba que o aumento de 2 graus já é uma situação ruim. Não limitar a temperatura média global em 1,5°C é sinônimo de grandes perdas econômicas, além ?das altas temperaturas em diversas partes do planeta, a morte de grande parte da floresta Amazônica e o aumento no número de refugiados climáticos.

              Quando lemos um relatório como este, temos algumas opções nós: perder a esperança ou seguir trabalhando. É fácil lavar nossas mãos e assumir que teremos um futuro horrível.

              Decidi seguir trabalhando, não só porque não posso deixar de agir, mas também porque ainda há razões para ter esperança. 

              Faz algumas semanas, que em São Francisco, os especialistas em mudanças climáticas mais reconhecidos do mundo apresentaram uma solução extraordinária de como evitar uma catástrofe. Nela, o chefe científico da Conservation International, Johan Rockström, e sua colega Christiana Figueres, descreveram os passos essenciais para combater os efeitos das mudanças climáticas até 2030.

              Na mensagem: Não estamos condenados, de fato, a transformação que deve ser realizada já está em andamento.

              Um passo importante nisso é a eliminação de milhões de toneladas de carbono para reduzir a temperatura, e muitos especialistas têm apresentado diversos métodos experimentais. Um deles é a "bioenergia com captura e armazenamento de carbono" (BECCS, sigla em inglês), isto eliminaria o carbono do ar e o colocaria debaixo da terra.

              O problema é que esta tecnologia está começando. E na melhor das hipóteses, pode  significar um desastre para nossas florestas e comprometer nossa alimentação pois vão precisar de espaço no solo para ela funcionar.  Colocar nossas esperanças numa tecnologia que talvez nunca venha a acontecer pela escala que é necessária, pode ser imprudência.

               Nossa sorte é que temos uma tecnologia que vem se aperfeiçoando durante milhões de anos. Ela se chama natureza.


              Simplesmente conservando e restaurando as florestas conseguiremos obter um terço das soluções para manter o aumento da temperatura global abaixo da média de 1,5°C. 

              As árvores são a tecnologia original de sequestro de carbono, e uma nova pesquisa reforça a promessa de que elas são as nossas aliadas no combate aos efeitos das mudanças climáticas.

              No início deste ano, um estudo publicou que é possível manter a temperatura abaixo de 1,5°C sem a utilização da "BECCS".  Entre os métodos sugeridos está a liberação de mais solo para o restauração florestal e melhoria da produtividade agrícola.

              Durante o próximo século, os esforços de restauração que já existem nos Estados Unidos poderão ajudar a cobertura do solo a absorver as outras 2 bilhões de toneladas de carbono, o que equivale a 1% de todas as emissões de gases do efeito estufa dos Estados Unidos, num ano.

              Outro estudo descobriu que as florestas de mangue armazenam muito mais carbono do que se pensava e os mangues do Brasil, especificamente, absorvem mais carbono por hectare que a própria floresta Amazônica.

              Então, por que não estamos restaurando as florestas desmatadas do mundo e por que continuamos perdendo nossas florestas em larga escala? Em resumo, tudo se reduz a uma vontade política. Enquanto a importância das florestas para nosso clima não são valorizadas  mais que os benefícios de curto prazo de sua destruição, não haverá muito que mudar.

              Felizmente, os sinais de esperança estão estabelecendo raízes.  Demos um passo gigante em 2017 com o anúncio de que o Brasil vai ajudar com a restauração de 73 milhões de árvores, na Bacia do Rio Amazonas. Foi uma campanha muito popular e mostrou que a restauração ambiciosa da natureza é possível.

              Sim, as mudanças climáticas já estão entre nós. Mas podemos evitar o pior que está por vir. A solução está no nosso jardim.          ?

Contatos para imprensa

Priscila Steffen – Gerente Sênior de Comunicação
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