Práticas corporativas aliadas à biodiversidade são bom negócio

Iniciativa inédita no país, o projeto TEEB para o Setor de Negócios Brasileiro valorou o “capital natural” em diferentes práticas agrícolas das empresas Natura e Monsanto

São Paulo, 19 de março de 2014 —

Destacar os benefícios econômicos de iniciativas empresariais que favoreçam a conservação da biodiversidade e a manutenção dos serviços ecossistêmicos é o principal objetivo do projeto TEEB para o Setor de Negócios Brasileiro, coordenado pela Conservação Internacional (CI-Brasil). Lançado em outubro de 2011, o projeto apresenta agora os resultados de estudo que compara o valor ambiental de diferentes práticas agrícolas na produção de óleo de palma (dendê) e soja, em projetos-piloto das empresas Natura e Monsanto, respectivamente. Em ambos os casos, a análise prova que conservar o “capital natural” é um bom negócio.

“Ao evidenciar o valor econômico, até então tratado como invisível nas questões da conservação dos recursos naturais, o TEEB demonstra que a preservação e o uso sustentável do capital natural são condições si ne qua non para se alcançar um desenvolvimento econômico sustentável, que assegure o bem estar social das gerações de hoje e de amanhã”, considera a coordenadora do projeto TEEB para o Setor de Negócios Brasileiro, Helena Pavese.

A análise foi realizada pela consultoria inglesa Trucost, reconhecida no cenário internacional pela valoração de externalidades de grandes companhias, como por exemplo a empresa de material esportivo Puma. Para se chegar ao resultado final, foi valorado o equilíbrio entre os custos dos impactos e dos benefícios ambientais, em termos financeiros. “Inserir o capital natural nos processos de decisão corporativa não apenas ajuda as empresas a optarem pelas melhores escolhas para otimizar a produção, mas também constrói resiliência aos negócios ao identificar riscos e oportunidades invisíveis na contabilidade tradicional das empresas”, afirma o Diretor de Finanças Ambientais da Trucost, Neil McIndoe.

“Todas as atividades de negócio, e agrícolas, dependem dos serviços fornecidos pelo meio ambiente, como as matérias-primas, a energia, a água e um clima estável. As organizações que utilizam esses serviços de uma forma não sustentável impactam e ameaçam a rentabilidade e a prosperidade do seu próprio negócio”, finaliza Pavese.

O projeto TEEB para o Setor de Negócios Brasileiro é uma iniciativa da Conservação Internacional (CI-Brasil), com patrocínio das empresas Monsanto, Natura, Santander e Vale, e apoio do Centro de Monitoramento da Conservação Mundial do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP-WCMC, na sigla em inglês) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Natura: óleo de palma em sistemas agroflorestais

Para aplicar a metodologia do TEEB, a Natura escolheu o Projeto SAF Dendê, um estudo científico desenvolvido pela área de pesquisa em Bioagricultura em parceria com a CAMTA (Cooperativa Agrícola Mista de Tomé Açú) e a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

Na área escolhida pela Natura, no estado do Pará, o valor ambiental associado a um único cultivo, ou a monocultura do óleo de palma (azeite de dendê), foi comparado a sistemas agroflorestais, em que o cultivo fica integrado com árvores como adubo verde e cacau, e outras culturas, como o maracujá.

Os principais resultados foram:

1.      O valor ambiental total obtido com os sistemas agroflorestais com óleo de palma (dendê) é três vezes maior do que aquele obtido com a monocultura do óleo de palma – R$ 410.853 por hectare comparado com R$ 122.253 por hectare, durante a vida útil de 25 anos da plantação.

2.      O experimento demonstra que além de produzir o óleo de palma, utilizado na produção dos sabonetes 100% vegetais da marca, os sistemas agroflorestais, associando o cultivo do dendê junto com cacau, maracujá, pimenta, banana, mandioca, açaí, entre outras espécies, contribui para a diversificação da renda do agricultor, além de minimizar os riscos de pragas e doenças nas espécies cultivadas.

“Acreditamos que uma profunda reflexão acerca da dependência dos serviços ecossistêmicos, como a que objetivamos com o Projeto SAF Dendê, é fundamental para o setor empresarial e para a sociedade como um todo. Vemos no TEEB a oportunidade de fomentar a discussão de uma nova economia, mais verde, mais inclusiva e mais responsável”, afirma a gerente de sustentabilidade da Natura, Luciana Villa Nova.

Monsanto: soja com Cerrado conservado

No caso da Monsanto, o estudo identificou os principais impactos ambientais e benefícios relacionados ao cultivo da soja, considerando os serviços ecossistêmicos de provisionamento e regulação, além do consumo direto de água e de insumos como combustíveis, fertilizantes e defensivos agrícolas. Para realização do estudo, a Monsanto forneceu dados sobre a produção de soja de uma lavoura localizada no Oeste da Bahia, na cidade de Luís Eduardo Magalhães.

Enquanto, em um cenário, foi avaliado 1 hectare coberto apenas com a cultura da soja, no outro foi avaliado 1 hectare coberto com 80% de soja e 20% de Cerrado conservado.

Os principais resultados foram:

1.      O valor total dos serviços ecossistêmicos gerados pelo cultivo de soja associado ao Cerrado é 11% maior que o gerado pela produção apenas de soja, ou R$ 1.139,00 contra R$ 1.031,00.

2.      A produção de soja associada à conservação de Cerrado oferece mais serviços de regulação, além da provisão combinada de soja e de pequi.

“Essa iniciativa está alinhada à missão da Monsanto de melhorar o dia a dia dos agricultores e auxiliá-los a produzir mais e melhor, de forma sustentável. Por isso investimos no avanço da agenda de desenvolvimento sustentável, conduzindo, cada vez mais, iniciativas concretas para conciliar crescimento econômico e conservação ambiental no Brasil”, afirma a gerente de Responsabilidade Social Corporativa e Sustentabilidade da Monsanto do Brasil Daniela Mariuzzo.

Acesse o relatório completo em: www.teebnegociosbrasil.com.br


Sobre a Conservação Internacional (CI-Brasil)

A Conservação Internacional (CI) é uma organização privada, sem fins lucrativos, fundada em 1987 com o objetivo de promover o bem-estar humano fortalecendo a sociedade no cuidado responsável e sustentável para com a natureza – nossa biodiversidade global – amparada em uma base sólida de ciência, parcerias e experiências de campo. Como uma organização não-governamental (ONG) global, a CI atua em mais de 40 países, distribuídos por quatro continentes. Em 1988, iniciou seus primeiros projetos no Brasil e, em 1990, se estabeleceu como uma ONG nacional. Possui escritórios em Belo Horizonte (MG), Belém (PA), Brasília (DF), Macapá (AP) e Rio de Janeiro (RJ), além de uma unidade avançada em Caravelas (BA).

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