Empresas discutem sustentabilidade na cadeia de valor

 

São Paulo, 29 de novembro de 2013 —

Realizado pela Conservação Internacional, no âmbito do projeto TEEB para o Setor de Negócios Brasileiro, fórum compartilhou experiências de empresas e fornecedores para a inserção do capital natural na cadeia de valor

 

Os desafios e oportunidades de inserir o capital natural na cadeia de valor das empresas e a necessidade de se internalizar externalidades ambientais foram temas dos Fóruns de Debate TEEB para o Setor de Negócios Brasileiro, promovido pela CI-Brasil na semana passada (19/11), em São Paulo. O evento contou com a participação das empresas Walmart, JBS, Marfrig, Danone e Agropalma e da consultoria inglesa Trucost.

“Temos o objetivo de apoiar empresas a entender suas externalidades e inserir o capital natural no seu negócio. O Fórum foi uma oportunidade de compartilhar aprendizados de diferentes setores”, afirma a coordenadora do TEEB para o Setor de Negócios Brasileiro, Helena Pavese da CI. “O resultado final do projeto será anunciado em março de 2014, quando serão apresentados os resultados da valoração ambiental de estudos de caso produzidos em parceria com as empresas Natura e Monsanto”, completa.

Com o tema “Incorporação do Capital Natural na Cadeia de Valor”, o primeiro fórum debateu a relação do Walmart com seus fornecedores JBS, Marfrig e Danone. Também participou da mesa a Agropalma, maior produtor de óleo de palma da América Latina, com quem o Walmart interage para o fornecimento do óleo para as empresas produtoras de sua marca própria.

“Percebemos que os consumidores estão mais conscientes, buscando produtos mais sustentáveis que sabem de onde vem”, afirmou a representante da Diretoria de Sustentabilidade do Walmart, Tatiana Trevisan, para quem a sustentabilidade já é uma realidade para boa parte da indústria.

É o caso da aderência à Plataforma Brasileira de Pecuária Sustentável, que o Walmart implementou após assumir compromisso global de não comprar carne bovina relacionada com o desmatamento na Amazônia. Com quatro pilares – (i) relacionamento com stakeholders, (ii) desenvolvimento de modelo sustentável de pecuária, (iii) gestão do conhecimento e (iv) gestão do risco, a Plataforma impactou diretamente os processos dos fornecedores de carne da rede, entre eles JBS e Marfrig.

“Nossos compradores dependem de nós para saber de quem podem, ou não, comprar. Assim, diariamente, precisamos saber como nossos produtores estão em relação aos critérios de sustentabilidade”, afirmou o diretor de Sustentabilidade da JBS, Márcio Nappo, lembrando que a empresa, que processa 90 mil cabeças de gado por dia, em sete países, conta com cerca de 70 mil fornecedores, sendo 38 mil deles na Amazônia Legal.

Já a Marfrig desenvolveu seu protocolo de sustentabilidade pela demanda dos próprios clientes, como Tesco e McDonalds. “A demanda nos faz muito melhor, nos torna mais eficientes”, disse o gerente de Sustentabilidade da Marfrig, Mathias Almeida, citando que a Marfrig classifica seus fornecedores  como iniciantes, bronze, prata e platinum. “Os platinum atendem pelo menos 95% das nossas exigências, podem exportar para a Europa e ganham 15% a mais que os outros”, explica ele.

Ambas as empresas apontaram o monitoramento das atividades de seus produtores como o grande desafio para a inserção do capital natural na sua cadeia. “É preciso ter certeza absoluta de que compramos de fazendas que respeitam critérios como o de não desmatar, não usar trabalho escravo e não invadir terras indígenas e unidades de conservação”, afirmou Nappo, citando que a JBS montou um sistema próprio de dados georreferenciados, pelo qual pretende monitorar até 40 mil fornecedores, em meados de 2014.

A Marfrig, que objetiva ter 18 milhões de hectares de fazendas monitoradas em 2014, contemplando 100% dos seus produtores presentes na Amazônia, enxergou oportunidades de novos negócios ao aprimorar seu controle socioambiental.  “É uma grande chance para trazer benefícios para todos. Um exemplo é a comercialização de couro, que com a certificação conseguimos acessar marcas como Adidas e Nike”, concluiu Almeida.

Internalizando externalidades – Com o tema “Como internalizar externalidades ambientais?”, o segundo fórum teve a palestra do diretor de Finança Ambiental da Trucost, Neil McIndoe. A inglesa Trucost é reconhecida no cenário internacional pela valoração de externalidades de grandes companhias, como por exemplo a empresa de material esportivo Puma.

A apresentação focou em estudos de caso da consultoria, que tem como objetivo ajudar organizações a entenderem o custo real de seu negócio para adotarem processos mais eficientes. Segundo o consultor, pela avaliação dos participantes do último Fórum Econômico Mundial de Davos, cinco dos oito maiores riscos empresarias estão ligados ao capital natural.

“O primeiro passo é entender impactos ambientais em toda a cadeia de valor. Para depois avaliar qual ação tomar: mitigar o risco, evitar o impacto ou mesmo focar as operações em outras áreas”, explicou McIndoe, recomendando que omercado brasileiro busque a materialidade das suas externalidades, para então estudar como enfrentá-las.

Os Fóruns de Debate TEEB para o Setor de Negócios Brasileiro tiveram o apoio institucional do Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces) da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Saiba mais em www.teebnegociosbrasil.com.br

 

TEEB para o Setor de Negócios Brasileiros

Lançado em outubro de 2011, o projeto TEEB para o Setor de Negócios Brasileiro foi concebido a partir da iniciativa “A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade” (TEEB, na sigla em inglês), idealizada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) para atrair a atenção internacional para os benefícios da biodiversidade, destacando o custo crescente de sua perda e da degradação de ecossistemas em termos econômicos.

No âmbito corporativo, o projeto objetiva alertar para a importância e as relações de dependência e impactos do setor de negócios na biodiversidade e serviços ecossistêmicos.  Nesse sentido, a iniciativa pretende fornecer orientações e auxiliar empresas brasileiras na gestão estratégica dos riscos e das oportunidades existentes nesse campo. Inserido na iniciativa global, o projeto também tem a finalidade de apresentar para o público nacional e internacional como as empresas brasileiras têm avançado no desenvolvimento de compromissos, metas e estratégias de gestão da biodiversidade e serviços ecossistêmicos.

O projeto TEEB para o Setor de Negócios Brasileiro é uma iniciativa da Conservação Internacional (CI-Brasil), com patrocínio das empresas Vale, Monsanto, Natura e Santander e apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o Centro de Monitoramento da Conservação Mundial (UNEP-WCMC, na sigla em inglês) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

 

Sobre a Conservação Internacional (CI-Brasil)

A Conservação Internacional (CI) é uma organização privada, sem fins lucrativos, fundada em 1987 com o objetivo de promover o bem-estar humano fortalecendo a sociedade no cuidado responsável e sustentável para com a natureza – nossa biodiversidade global – amparada em uma base sólida de ciência, parcerias e experiências de campo. Como uma organização não governamental (ONG) global, a CI atua em mais de 40 países, distribuídos por quatro continentes. Em 1988, iniciou seus primeiros projetos no Brasil e, em 1990, se estabeleceu como uma ONG nacional. Possui escritórios em Belo Horizonte (MG), Belém (PA), Brasília (DF), Macapá (AP) e Rio de Janeiro (RJ), além de uma unidade avançada em Caravelas (BA).