A biodiversidade amazônica pela visão de jovens naturalistas

 

Alunos que venceram a 5ª edição do Prêmio Márcio Ayres mostram como a variedade de animais e plantas faz parte do cotidiano de escolas, produtores, famílias e comunidades do Pará.

Brasília, 06 de dezembro de 2012 —

(Agência Museu Goeldi)

Agência Museu Goeldi - Dezessete atividades educativas, quinze municípios mobilizados, 40 escolas participantes, sete finalistas. Depois de uma longa jornada, a quinta edição do Prêmio José Márcio Ayres para Jovens Naturalistas terminou no dia 4 de dezembro com o anúncio dos primeiros colocados em cerimônia aberta ao público, realizada no Auditório Alexandre Rodrigues Ferreira, no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi. Entre os melhores trabalhos, os temas de zoologia foram os preferidos dos estudantes nesta edição, dominada pelas escolas públicas.

Pesquisas premiadas - Janilce de Nazaré Machado Batista, aluna do 3º ano da Escola Augusto Meira, conquistou o 1º lugar do ensino médio. O trabalho "A mandioca e o sistema de engorda de peixes em São Domingos do Capim", orientado pela professora Edna Gualberto, exigiu meses de pesquisa e dedicação total em sua cidade de origem. 

A estudante investigou a prática de aproveitamento das sobras de mandioca pelos ribeirinhos na criação de peixes. Ela acompanhou a engorda de quatro espécies – acarás catitu, roxo e roxinho e aracu -, que foram criadas em uma camboa às margens do rio Capim, registrando todos os passos da pesquisa em mais de 700 fotografias.

O segundo lugar do Ensino Médio foi para André Hideo Umemura Paiva, aluno do 2º ano da Escola Tenente Rêgo Barros. A motivação para a pesquisa "Estudo sobre abelhas sem ferrão amazônicas", orientada pelo professor Assis Melo, veio de dentro de casa: André cria sua própria colméia de abelhas sem ferrão há sete anos. 

Decidido a divulgar a importância dos insetos, visitou a cidade São João de Pirabas, onde a apicultura é uma forte atividade econômica, e pesquisou as características das espécies aripuá, abelha mosquito, uruçu-amarela e uruçu-cinzenta. No trabalho, o aluno destaca o valor comercial das duas últimas, cujo mel é mais saudável pela menor quantidade de açúcar e chega a custar R$100 o litro.

Já a terceira colocação ficou com Carmen Françuasy Martins Nascimento, da Escola Albanízia de Oliveira Lima. A estudante do 1º ano encontrou o objeto de estudo na própria escola e realizou a pesquisa "Artrópodes no ambiente escolar em área urbana de Belém-Pará", sob orientação do professor Cide da Silva Filho.

A aluna espalhou armadilhas luminosas do tipo CDC para atrair insetos hematófagos e armadilhas feitas com garrafas pet para coletar mosquitos em diferentes pontos da escola, conseguindo um total de 310 exemplares identificados em 39 morfoespécies. Ainda que tenha utilizado poucos métodos de coleta e amostragem, os resultados da pesquisa de Carmem demonstraram a riqueza de espécies encontradas em um único espaço urbano.

O trabalho "Dicionário ilustrado semi-sistemático da botânica do açaí" de Railson Wallace Rogrigues dos Santos, 1º ano da Escola Enedina Sampaio Melo, recebeu Menção Honrosa. Com a orientação de Aldenora Gonçalves, o aluno identificou cerca de 100 formas lingüísticas utilizadas pela comunidade de Igarapé-Miri para diferenciar etnovariedades do açaizeiro, como o “açaí parau”, termo relacionado ao fruto em fase de amadurecimento.

O 1º lugar do Ensino Fundamental foi para André Vitor Tavares, aluno do 8º ano da Escola Vilhena Alves, onde integra o Núcleo de Atividades de Altas Habilidades – ele também é aluno da Escola Salesiano do Trabalho. Seu estudo "Arara azul: em processo avançado de extinção", orientado pelas professoras Marcia Veloso e Cacilda Silva, foi constituído pela observação de exemplares de aves em cativeiro no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, entrevistas com uma bióloga e o veterinário do Goeldi, além de pesquisa bibliográfica. 

Os resultados da investigação de André Vitor serviram de base para a elaboração de um folder, utilizado para a conscientização da comunidade escolar. Os demais trabalhos finalistas do Ensino Fundamental não obtiveram pontuação suficiente na avaliação oral.

Para a pesquisadora Ana Harada (MPEG), que participou da comissão julgadora na 1ª edição do Prêmio, a qualidade dos trabalhos têm aumentado. Ela destaca ainda a possibilidade que o Prêmio tem de descobrir mentes curiosas para a ciência: “A gente pode encontrar grandes potenciais de jovens na Amazônia. É só procurar nas escolas e ter pessoas que possam conduzi-los até nós”.

Premiação - Os primeiros colocados, e seus orientadores, ganharam notebooks , o segundo lugar, máquina fotográfica digital e o terceiro, bicicleta. Os alunos finalistas, menção honrosa, professores orientadores e as escolas participantes foram premiados com kits de publicações. A surpresa generosa foi garantida pelo Dr. Manoel Ayres, pesquisador pioneiro na área da estatística biomédica e pai do falecido primatólogo Márcio Ayres, que, durante a cerimônia, ofereceu tablets para o estudante Railson e a professora Aldenora cujo trabalho obteve Menção Honrosa.

5ª edição - Realizada pelo Museu Emílio Goeldi e Conservação Internacional do Brasil, com o apoio da Escola da Biodiversidade Amazônica do INCT Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia, esta edição inseriu o Prêmio  no cenário das novas mídias através de diferentes estratégias de divulgação. Foram realizadas palestras, oficinas, materiais educativos, websérie “Naturalistas do Século XXI”, transmissão ao vivo e digitalização de conteúdos, além de campanhas informativas no jornal O Liberal, Rádio e TV Cultura e nas redes sociais. Todo material educativo está disponível no site do prêmio.

Coordenado pela jornalista Joice Santos (LabCom Multimídia/ SCS/MPEG) e pelas educadoras Filomena Secco (SEC/MPEG) e Maria de Jesus Fonseca (EBIO/UEPA), o PJMA buscou fornecer informações aos estudantes e mobilizar o debate sobre biodiversidade amazônica. Segundo Maria de Jesus, as atividades educativas que antecederam a premiação foram significativas no processo de produção dos trabalhos. “Avançamos bastante no Prêmio. Hoje a gente pode sentir a presença de escolas públicas e municípios próximos, além da melhoria na qualidade dos trabalhos”, avalia a coordenadora.

Os apoiadores do Prêmio Márcio Ayres incluem o Jornal O Liberal, a Fundação de Telecomunicações do Pará (Funtelpa), a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), a Fundação Amazônia Paraense (Fapespa), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). 

Texto: Luena Barros