Etnomapeamento abrangerá 10 milhões de ha em TIs do PA

CI-Brasil inicia projeto que será o maior já feito em área contínua indígena e se transformará em uma ferramenta política importante para os kayapós

Brasília, 23 de janeiro de 2012 —

No mês de fevereiro, uma equipe de cerca de 40 pessoas  iniciará  os trabalhos de etnomapeamento  nas Terras Indígenas (TI) Kayapó, Baú e Menkragnoti, no sul do Pará. A área tem cerca de 10 milhões de hectares e uma população de sete mil índios . O projeto é coordenado pela Conservação Internacional (CI-Brasil), em convênio com a secretaria de Meio Ambiente do Pará, e conta com a parceria técnica do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), do Institut de Recherche pour Le Developpment (IRD), da Associação Floresta Protegida (AFP) e dos Institutos Kabu e Raoni.

Ao todo, serão 16 aldeias alcançadas no período de um ano.Neste mapeamento das terras kayapós, um grupo de pesquisadores de campo vai coletar informações sobre número de caçadores, anciãos, mulheres e pajés em cada localidade, além de pontos de caça, pesca e outros dados culturais e sociais do território. Com base nos dados coletados, será feito um mapa que contará com informações socioculturais detalhadas das aldeias e das terras indígenas como um todo. 

Andrea Leme,  coordenadora do programa indígena da CI-Brasil e do projeto, afirma que esse será o maior mapeamento cultural já feito em uma terra indígena contínua. “O estudo é uma ferramenta política importante. Com ela, os kayapós mostram por que esse território é deles”, diz.

Como exemplo, Andrea cita os questionamentos sobre o tamanho das terras indígenas. “Muitos pensam que ela é pouco povoada para seu tamanho e que, assim, ela poderia ser usada para plantação ou estradas. No entanto, os índios Kayapós eram nômades, pertenciam originalmente ao Centro Oeste, mas foram ‘empurrados’ para a floresta devido à urbanização. Por volta dos anos 1940, começaram a ficar sedentários, porém continuaram com hábitos de subsistência. Dessa forma, quando a comida fica escassa em um território, necessitam ir para outro até esperar a fauna e a flora se restabelecer. Portanto precisam de territórios grandes para essa rotatividade”, explica.

Treinamento – “O objetivo do etnomapeamento é ser participativo e construtivista, por isso ele será feito pelos próprios indígenas”, ressalta Andrea. Trinta jovens nativos receberão treinamento para aprender a mexer em GPSs, mapas e em todos os outros materiais. Cada índio da equipe técnica, que ainda contará com um antropólogo e dois cartógrafos, terá que abordar aproximadamente duzentas pessoas. “Será uma ótima oportunidade para os mais novos aprenderem o que os mais velhos conhecem. Será uma forma de transmitir conhecimento”, afirma a coordenadora.