Nova espécie de lêmure é descoberta em Madagascar

12/12/2010

Primata tem o tamanho de um esquilo e será exibido pela primeira vez em programa de televisão da rede BBC

Uma espécie de lêmure forquilha-coroado potencialmente nova para a ciência foi recentemente descoberta nas florestas de Madagascar.  O animal será exibido no programa especial “A Década de Descobertas da BBC” nesta terça-feira, anunciaram hoje a Conservação Internacional e a Unidade de História Natural da BBC. Há atualmente quatro espécies do gênero Phaner e esta pode ser a quinta.


Russell Mittermeier, presidente da Conservação Internacional e renomado especialista em primatas, avistou o animal pela primeira vez em 1995 durante uma expedição a Daraina, uma área protegida no nordeste de Madagascar. “Eu fui inicialmente para esta área para ver o Sifaca-de-coroa-dourada (Propithecus tattersali), outra espécie de lêmure de tamanho maior e hábitos diurnos que havia sido descrita em 1988.  Fiquei surpreso ao ver um lêmure forquilha-coroado nessa região, uma vez que esse grupo ainda não havia sido registrado ali. Eu soube imediatamente que esta seria provavelmente uma nova espécie para a ciência, mas só agora consegui dar continuidade a esse processo” explica.


Em outubro deste ano, Mittermeier liderou uma expedição de cientistas nessa mesma área com o intuito de rastrear o lêmure, que incluiu o geneticista Ed Louis do Zoológico de Omaha e uma equipe de filmagem da Unidade de História Natural da BBC.
 
A equipe começou a busca logo após o por do sol, hora em que os lêmures do gênero Phaner costumam ser mais enfáticos em suas vocalizações. Eles então ouviram um som vindo de perto do acampamento, do topo de uma árvore, e passaram a seguir o animal pela densa floresta, guiando-se pelos chamados emitidos, na tentativa de capturá-lo.  A agilidade e a destreza com que o animal se movia por entre as copas as árvores dificultou o processo e fez com que os pesquisadores tivessem que aguardar até que ele se movesse para uma área aberta. Só então puderam tirar as medidas (ele tem tamanho aproximado de um esquilo) e amostras de sangue para análise genética, necessária para confirmar se trata realmente de uma nova espécie. Também foi colocado um microchip sob sua pele para identificação e monitoramento. O animal foi, em seguida, devolvido à floresta.


“Esta é mais uma marcante descoberta em Madagascar, o mais prioritário hotspot de biodiversidade do mundo e um dos locais mais extraordinários em nosso planeta”, afirma Mittermeier. “É incrível que continuemos a encontrar novas espécies de lêmures e outras plantas e animais neste país tão impactado, que já perdeu 90% ou mais de sua vegetação original”.


Devido ao seu alcance muito restrito, é provável que esta espécie já esteja ameaçada de extinção, mesmo que não tenha sido ainda formalmente descrita.


Como as outras quatro espécies do gênero Phaner, esta espécie potencialmente nova possui:
• uma linha preta em forma de Y que começa acima de cada um dos olhos e se junta como uma linha única no topo da cabeça, criando uma forquilha que dá nome a estes animais;
• mãos e pés grandes que ajudam para se agarrar às árvores;
• vocalização noturna, em tom alto, que ajudou a equipe a rastreá-lo;
• comportamento não usual de balanço da cabeça, que aparece no feixe da lanterna à noite e é característica única desta espécie;
• dieta que consiste de uma alta proporção de gomas produzidas por árvores e néctar de flores;
• língua comprida própria para sugar o néctar e dentes incisivos reclinados, no formato de um pente que serve como ferramenta de raspagem para morder a casca da árvore.

“Esta quinta espécie tem um padrão diferenciado de cores, mas as principais diferenças serão provavelmente genéticas”, explica Mittermeier. Desde que a descoberta foi filmada, Louis e sua equipe têm realizado análises genéticas para confirmar se esta é de fato uma nova espécie. Mittermeier e Louis gostariam que ela fosse batizada com o nome da organização não governamental conservacionista Fanamby (“desafio” na língua malgaxe, de Madagascar) que tem sido fundamental na proteção da floresta de Daraina, onde o lêmure foi encontrado.

Na última década, 63 novas espécies de primatas, incluindo 42 espécies de lêmures, foram descobertas no mundo.  Louis foi responsável por uma grande parte das descobertas de novos lêmures. Dois lêmures foram batizados em homenagem a Mittermeier, que tem estudado primatas por mais de 40 anos. Eles também serão exibidos no programa da BBC:  um pequeno “lêmure rato” descoberto em 2006, chamado Microcebus mittermeieri e um lêmure descoberto em 2008, chamado  Lepilemur mittermeieri.


Madagascar é o único país onde os lêmures são encontrados. Eles vivem na floresta e estão sob sério risco de extinção. Uma vez que quase todas as florestas de Madagascar foram destruídas, cresce a urgência em encontrar e catalogar os lêmures que ainda restam, assim como de salvar seu habitat, que é a fonte de alimento e renda para o povo.


“A proteção das florestas naturais restantes em Madagascar deveria ser considerada uma das principais prioridades de conservação do mundo. Essas florestas são lar para uma gama incrível de espécies que são um verdadeiro patrimônio global, e também fornecem um leque incalculável de benefícios às comunidades locais na forma de água limpa, comida e fibras, e outros serviços ambientais”, pontua o cientista.


Mais informações


Na ilha de Madagascar há apenas cerca de 100 espécies conhecidas, sendo que mais de 40 foram encontradas na última década.  Alguns cientistas acreditam que eles foram parar em Madagascar por acaso, viajando pelo mar em fragmentos de vegetação que ocasionalmente se deslocam e são levados pelos rios.


Os lêmures então evoluíram em isolamento de outros primatas como macacos, por exemplo, que evoluíram mais tarde. Também, sua evolução ocorreu devido à falta de predadores, mas principalmente para preencher muitos nichos (papéis ou funções de uma espécie no ecossistema) disponíveis a eles pela ausência de ungulados (animais de casco como cavalos, zebras ou antílopes) assim como preguiças, pica-paus e certos macacos em Madagascar. 


Os lêmures são batizados com o nome lemurs ( fantasmas ou espíritos) da mitologia romana devido às suas vocalizações, olhos que refletem e hábitos noturnos.  Uma das razões pelas quais novas espécies de lêmures têm sido descritas recentemente é que os cientistas estão percebendo que os animais que podem parecer similares aos nossos olhos são na verdade muito diferentes entre si.  Os lêmures ratos são um bom exemplo dessas chamadas espécies “secretas” – em 1994 haviam apenas 2 nomes de espécies de lêmure rato, agora há 18 espécies distintas.  Cada uma tem uma pelagem ou tamanho levemente diferente, embora algumas pareçam quase idênticas, ao menos ao olho humano. 


 Mais informações do programa


Na última década cientistas e exploradores descobriram o impressionante número de 250 mil novas espécies. “A Década de Descobertas” é um programa apresentado por Chris Packham, quem selecionou pessoalmente as dez descobertas mais extraordinárias dos últimos dez anos. O programa é filmado ao redor do mundo e também mostra o macaco mais raro na África, e a descoberta número um na lista do apresentador– a preguiça anã do Panamá, filmada nadando pela primeira vez. A Terra ainda pode nos surpreender.


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Fotos do novo lêmure (e outras espécies apresentadas no programa)

estão disponíveis na BBC Picture Publicity: pictures@bbc.co.uk
Vídeo clipes (HD) e mais informações no BBC Front Desk Publicity – 00 44 208 576 9900
 
Para mais informações:
 
Conservação Internacional
EUA:
Patricia Yakabe Malentaqui
Celular: +1 (571) 225-8345 ou pmalentaqui@conservation.org

Brasil
Isabela Santos
i.santos@conservacao.org – 31 3261-3889
 
Notas para os editores:

Conservação Internacional (CI):
A Conservação Internacional (CI) é uma organização privada, sem fins lucrativos, fundada em 1987 com o objetivo de promover o bem-estar humano fortalecendo a sociedade no cuidado responsável e sustentável para com a natureza – nossa biodiversidade global -, amparada em uma base sólida de ciência, parcerias e experiências de campo. Como uma organização não governamental (ONG) global, a CI atua em mais de 40 países, distribuídos por quatro continentes. Em 1988, iniciou seus primeiros projetos no Brasil e, em 1990, se estabeleceu como uma ONG nacional. Está abrindo nova sede no Rio de Janeiro e possui escritórios em Belo Horizonte-MG, Brasília-DF e Belém-PA, além de unidades avançadas em Campo Grande-MS e Caravelas-BA. Para mais informações sobre a CI, visite www.conservacao.org e  www.conservation.org

 
Unidade de História Natural da BBC:   Baseada em Bristol, a equipe do programa é liderada pela Produtora Executiva

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