Livro marca 20 anos de descobertas de espécies

4/13/2011

Publicação aborda duas décadas de pioneirismo do Programa de Avaliação Ecológica Rápida da Conservação Internacional e a descoberta de mais de 1.300 novas espécies

Arlington, VA — Vinte anos de pesquisas de campo nas florestas mais remotas do mundo levaram a importantes descobertas biológicas nas duas últimas décadas, além de dar suporte para comunidades, empresas e nações a tomar decisões conscientes no que diz respeito ao uso da terra e da água, afirmou hoje a organização não governamental Conservação Internacional (CI) durante a publicação de um livro que marca os resultados históricos de conservação conseguidos através do Programa de Avaliação Ecológica Rápida (da sigla em inglês, RAP, Rapid Assessment Program).

As realizações do programa são destacadas no novo livro "Still Counting…" editado por Leeanne Alonso, diretora do Programa de Avaliação Ecológica Rápida da CI, juntamente com outros cientistas. A publicação que mescla ensaios, relatórios históricos, e guias metodológicos, relembra as expedições do RAP em algumas das áreas mais remotas e menos conhecidas do planeta, relatando os desafios físicos e pessoais experimentados pelos cientistas. O livro tem mais de 400 fotos de espécies raras do mundo todo.

"Foi uma aventura incrível", relembra Leeanne Alonso, que coordenou e liderou as pesquisas nos últimos 13 anos. "Apesar da pressão que exercemos sobre a natureza, ela continua a nos encantar, inspirar e ensinar com uma variedade de tesouros ocultos e serviços ecossistêmicos com os quais as pessoas necessitam, e que só agora estamos começando a entender", conclui a cientista.

ESTRELAS — Para celebrar os 20 anos do programa, a CI escolheu as 20 "Estrelas RAP" do histórico do programa. As espécies, relacionadas abaixo, incluem as descobertas mais surpreendentes, únicas ou ameaçadas do ponto de vista biológico realizadas pela equipe. A lista inclui espécies que mexem com a imaginação do público e da mídia com apelidos populares como a "rã Pinóquio", o "morcego Yoda", o "tubarão andante" e a "salamandra extraterrestre". Elas estão entre as 1.300 espécies novas ou raras levantadas pelas pesquisas do programa.

EQUIPE — Lançado pela CI em 1990, o Programa de Avaliação Ecológica Rápida foi desenhado com a intenção de montar uma equipe com os melhores biólogos de campo de diversas disciplinas. Como explica o presidente da CI, Peter Seligmann, no prefácio do livro, reunir "Uma equipe ecológica ao estilo da SWAT que avaliasse com precisão a saúde de um ecossistema em uma fração do tempo que normalmente seria necessário".

A equipe pioneira do RAP era formada por quatro pesquisadores, e incluía os lendários biólogos de campo Ted Parker e Al Gentry, que perderam suas vidas tragicamente anos depois em um acidente de campo, mas deixaram um legado científico duradouro que permanece até hoje.

Desde então, os RAPs da CI se expandiram para incluir de 10 a 30 cientistas de diversas disciplinas e de instituições governamentais, ONGs e instituições acadêmicas ao redor do mundo. Dessa forma, o Programa de Avaliação Ecológica Rápida revolucionou a história do estudo de campo biológico com suas pesquisas rápidas, mas cientificamente rigorosas, que em geral duram de quatro a seis semanas, com cinco a sete noites de exploração por sítio.

Entre as realizações do programa estão a conclusão de 80 expedições em 27 países, incluindo 51 RAPs terrestres, 15 RAPs marinhos e 13 AquaRAPs em água doce. Entre os resultados mais importantes das pesquisas, estão:

  • a descoberta de mais de 1.300 espécies novas para a ciência. Mais de 500 dessas espécies já foram descritas formalmente por taxonomistas, e outras ainda estão em estudo

  • o investimento de mais de US$ 5,3 milhões em comunidades locais e economias nacionais por meio de financiamento gasto principalmente dentro dos países.

  • a criação, expansão ou melhoria no manejo de aproximadamente 21milhões de hectares de áreas protegidas (mais de 209.000 km2)

  • dados de distribuição de 400 espécies ameaçadas globalmente e novas informações sobre registros e abrangência de mais de 2.000 espécies

  • treinamento de mais de 400 estudantes e cientistas em países em desenvolvimento

  • trabalho de estruturação para as reivindicações de terras dos povos indígenas, resultando na criação de áreas de conservação comunitária especiais para eles em países como Peru e China, bem como em informações para ajudá-los a administrar suas reservas

  • desenvolvimento da metodologia usada no programa chamado IBAT (sigla em inglês para, Ferramenta Integrativa de Avaliação da Biodiversidade) para informar as empresas sobre áreas apropriadas para desenvolver suas indústrias de extração.

O presidente da CI e primatólogo Dr. Russ Mittermeier, que participou de muitas expedições do RAP, explica no livro que a intenção era treinar "as grandes ‘estrelas’ do futuro", cuja maioria vive nos países tropicais nos quais as expedições são realizadas. Ele afirma: "Nós firmamos as bases para o futuro e formamos pessoas que já estão levando adiante a causa da conservação", afirma Mittermeier.

Ao explicar a importância dos dados das espécies para melhorar as decisões sobre desenvolvimento, Leellane Alonso, uma entomóloga, afirma: "As espécies são as peças fundamentais de todos os ecossistemas naturais. Ainda sabemos muito pouco sobre cada espécie e seu papel na manutenção de um planeta saudável e funcional, seja filtrando água doce, dispersando sementes, controlando pragas, polinizando plantações, inspirando a engenharia e nos fornecendo muitos medicamentos importantes."

 

Existem aproximadamente 1,9 milhões de espécies de animais documentadas, mas as estimativas vão até 10 a 30 milhões de espécies ainda a serem descobertos e cientificamente descritos. Muitas desaparecem antes mesmo de os cientistas terem a chance de descobri-las e estudá-las — um processo trágico conhecido como Centinelan extinction (extinção de sentinela, em uma tradução livre). Por meio da execução de pesquisas do RAP em áreas de possível desenvolvimento de atividade industrial, a avaliação pode criar um registro de espécies que, caso contrário, poderiam ter vivido e desaparecido sem que ninguém soubesse.

"Registrar e publicar sua existência aumenta dramaticamente sua chance de sobrevivência", diz Alonso.

Participar de uma expedições do RAP não é algo fácil. As expedições mais remotas e difíceis frequentemente exigem alguns dias de escaladas extenuantes, geralmente em montanhas íngremes por meio de vastas florestas úmidas.

Os locais para pesquisa são selecionados com base na análise de imagens de satélite, fotografias aéreas e sobrevoos e são escolhidos especialmente pelo tipo e condição do habitat. Os RAPs foram todos realizados em locais com alta biodiversidade — também conhecidos como Hotspots, regiões com alta diversidade e endemismo (espécies que não são encontradas em nenhum outro lugar), porém, com menor ameaça e grande extensão de habitat para exploração.

Quanto ao futuro dos RAPs, Mittermeier declara: "Apesar de tudo o que aprendemos, ainda há muito a ser feito. As pressões sobre os países mais ricos em biodiversidade não diminuíram, e muitas regiões continuam inexploradas. O conhecimento já ajudou a conservar algumas das regiões mais prioritários do mundo e continuará sendo nossa ferramenta mais forte para garantir o futuro da vida em nosso planeta", conclui o cientista.


20 "Estrelas RAP" da CI
listados sem ordem específica

"lagartixa-satânica-de-cauda-de-folha" Uroplatus phantasticus
(já vista; NÃO é nova para a ciência)
Madagascar
"salamandra ET" Bolitoglossa sp. nov.
(NOVA para a ciência, descoberta pelo RAP)
Equador
"rã-pinóquio" Litoria sp. nov.
(NOVA para a ciência, descoberta pelo RAP)
Papua-Nova Guiné
"grande-rã-verde-arborícola" Nyctimystes sp.
(NOVA para a ciência, descoberta pelo RAP)
Papua-Nova Guiné
"rato-chinchila-arborícola" Cuscomys ashaninka
(NOVA para a ciência, descoberta pelo RAP)
Peru
"morcego Yoda" (morcego de nariz de tubo) Nyctimene sp. nov.
(já vista; NÃO é nova para a ciência)
Papua-Nova Guiné
"ave-papa-mel-de-barba-cinzenta" Melipotes carolae
(NOVA para a ciência, descoberta pelo RAP)
Indonésia (Nova Guiné Ocidental)
"Gola Malimbe" (sem tradução para o português)Malimbus ballmanni
(já vista; NÃO é nova para a ciência)
Guiné
"tubarão que anda" Hemiscyllium galei
(NOVA para a ciência, descoberta pelo RAP)
Indonésia
"Flasher Wrasse" (sem tradução para o português)Paracheilinus nursalim
(NOVA para a ciência, descoberta pelo RAP)
Indonésia
"bagre com boca de ventosa" Pseudancistrus kwinti
(NOVA para a ciência, descoberta pelo RAP)
Suriname
"gafanhoto-pavão" Pterochroza ocellata
(já vista; NÃO é nova para a ciência)
Guiana
"gafanhoto RAP" (denominado em homenagem ao Programa Internacional de Avaliação Ecológica Rápida da Conservation International)
Brachyamytta rapidoaestima
(NOVA para a ciência, descoberta pelo RAP)
Gana & Guiné
"barata da Conservação Internacional" Simandoa conserfariam
(NOVA para a ciência, descoberta pelo RAP)
Guiné
"libélula" Platycypha eliseva
(NOVA para a ciência, descoberta pelo RAP)
República Democrática do Congo
"formiga-anzol" Polyrhachis bihamata
(já vista; NÃO é nova para a ciência)
Camboja
"formiga-tigresa" Strumigenys tigris
(já vista; NÃO é nova para a ciência)
Papua-Nova Guiné
"escorpião imperador" Pandinus imperator
(já vista; NÃO é nova para a ciência)
Gana
"aranha-golias-comedora-de-pássaro" Theraphosa blondi
(já vista; NÃO é nova para a ciência)
Guiana
"aranha-dinossauro" Ricinoides atewa
(NOVA para a ciência, descoberta pelo RAP)
Gana

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Imagens estão disponíveis na Conservação Internacional mediante solicitação

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(91) 3225-3848 / 3225-3707; cel: (91) 8135-6644;
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CONSERVAÇÃO INTERNACIONAL
A Conservação Internacional (CI) é uma organização privada, sem fins lucrativos, fundada em 1987 com o objetivo de promover o bem-estar humano fortalecendo a sociedade no cuidado responsável e sustentável para com a natureza – nossa biodiversidade global -, amparada em uma base sólida de ciência, parcerias e experiências de campo. Como uma organização não governamental (ONG) global, a CI atua em mais de 40 países, distribuídos por quatro continentes. Em 1988, iniciou seus primeiros projetos no Brasil e, em 1990, se estabeleceu como uma ONG nacional. Está abrindo nova sede no Rio de Janeiro e possui escritórios em Belo Horizonte-MG, Brasília-DF e Belém-PA, além de unidades avançadas em Campo Grande-MS e Caravelas-BA. Para mais informações sobre a CI, visite www.conservacao.org e www.conservation.or