Acordo em Durban precisa ser colocado em prática

12/15/2011

Cumprimentos de acordos e ações concretas por parte dos governos são a chave para combate às mudanças climáticas

Durban, África do Sul — O acordo resultante das negociações das Nações Unidas para o Clima em Durban toca em temas críticos, especialmente a extensão do único mecanismo existente de redução de emissões, o Protocolo de Kyoto, o estabelecimento de um Fundo Climático Verde de financiamento para as nações em desenvolvimento e a criação da Plataforma de Durban na busca de um acordo climático abrangente em 2015 — que poderá incluir todas as nações unidas no esforço global para enfrentar a crise climática. Para a Conservação Internacional, o acordo representa um passo à frente — um modesto compromisso, mas com extraordinário potencial para a ação real.

"A comunidade mundial reconhece a importância de três pontos: a continuidade dos compromissos para reduzir as emissões, seguindo o Protocolo de Kyoto, o financiamento que deve ser canalizado para os países em desenvolvimento, e que qualquer solução deve envolver todas as nações. Ficamos felizes em ver progressos nesses três pontos, mas, por outro lado, todas essas decisões não passam de projetos e não se constituem em  compromissos firmes com a ação — são apenas acordos para a continuação das negociações, potenciais compromissos em futuros acordos, futuros financiamentos e futuras ações" afirma Fred Boltz, Vice-Presidente de Iniciativas Globais e Mudanças Climáticas da Conservação Internacional.

Ele complementa ainda que não há certeza de que os países irão cumprir com os compromissos mais importantes do segundo período do Protocolo de Kyoto. “O financiamento não foi direcionado para capitalizar o Fundo do Clima Verde, por isso, temos, na realidade, uma conta bancária, mas sem dinheiro nenhum. E, não só não há certeza de que teremos um acordo de 2015 entre todas as nações, mas também, que a implementação desse acordo será para 2020. 2020 é muito tarde. Se começarmos a tomar ações de mitigação da mudança climática na escala necessária, nesse ano, já teremos perdido a meta de dois graus Celsius. Se contarmos com essa agenda estabelecida pelo pela Convenção Quadro Clima da ONU (UNFCCC, em inglês) para estabelecer o tamanho e a velocidade das ações, nós não vamos conseguir evitar as alterações mais perigosas para o Clima", conclui Boltz.

 

Progresso em REDD+

 

Entre os resultados mais promissores de Durban, está o acordo sobre as normas para o REED+ (sigla em inglês para Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal, acrescido de atividades de conservação) — um arranjo financeiro pelo qual os países em desenvolvimento são recompensados por manter florestas em pé, reduzindo assim as emissões causadas pelo desmatamento.

"O acordo pelo qual as fontes de mercado e públicas podem financiar o REDD+ é um passo muito positivo, porque prevê a escala do investimento necessária para tornar real esta opção. Isso deve ser feito imediatamente. Nós devemos parar o desmatamento ainda nesta década. Isso por si só reduziria as emissões anuais em um sexto e aumentaria significativamente as nossas chances de atingir a meta de dois graus Celsius", completa o vice-presidente.

 

Próximos passos

 

“Para que os resultados de Durban sejam verdadeiramente significativos, precisamos transformar algumas dessas ‘promessas vazias’ em realidade. Devemos pressionar nossos líderes a agirem em escala compatível com o desafio do clima, inclusive a ação efetiva, conforme o segundo período do Protocolo de Kyoto e o cumprimento dos compromissos assumidos no acordo da reunião de Copenhague de 2009 para mitigar a mudança climática e para financiar os países pobres. Até 2015, devemos ser capazes de intensificar as ações como uma comunidade global e assumir os compromissos adicionais necessários para evitar uma mudança climática perigosa, e, ainda, para construir a capacidade de adaptação de comunidades vulneráveis e de nações. Durban mostrou que a Convenção Quadro do Clima é um fórum para a ação coletiva, mas não um mecanismo que deve governar ou restringir o ritmo e a magnitude dos nossos esforços, ou então, iremos falhar".

"Agora é o momento de dar esse passo ousado e urgente para um clima mais seguro e para um futuro mais próspero e produtivo. Para que o setor privado invista no desenvolvimento de tecnologias de baixa emissão de gases de efeito estufa, assim como em sua própria sustentabilidade, incorporando medidas robustas de adaptação à mudança climática. Chegou o tempo da comunidade das nações agir além do discurso e exibir a liderança digna da admiração dos nossos filhos e das gerações vindouras ", conclui Boltz.