RPPNs Dona Benta e Seu Caboclo e Lagoa Encantada

 

Belo Horizonte, 17 de outubro de 2013 —

O Programa de Incentivo às  Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) da Mata Atlântica, parceria entre Conservação Internacional e Fundação SOS Mata Atlântica, está comemorando 10 anos em 2013! Nesse período o programa apoiou a criação de 392 novas reservas particulares – sendo 194 já reconhecidas – e a gestão de outras 101 reservas já existentes, num total de 57 mil hectares protegidos. As RPPNs são unidades de conservação criadas pela vontade do proprietário rural, que decide transformar sua terra em uma reserva e assume compromisso com a conservação da natureza.

Como parte das celebrações do aniversário do Programa, a Conservação Internacional está publicando até o fim do ano, entrevistas com proprietários de RPPNs que foram apoiados pela iniciativa. Esse é décimo quarto post da série. Conheça as RPPNs Dona Benta e Seu Caboclo e Lagoa Encantada, situadas em Pirambu (SE), na entrevista com Manoel Elielson Cordeiro de Jesus, proprietário das reservas. Boa leitura!

RPPNs Dona Benta e Seu Caboclo e Lagoa Encantada

Área: 24,70 hectares

Município: Pirambu (SE)

Entrevistado: Manoel Elielson Cordeiro de Jesus

1) Para você, qual a importância das Reservas Particulares do Patrimônio Natural, as chamadas RPPNs?

É uma ótima estratégia de conservação de todo o ecossistema. Precisa ser mais difundido e trabalhado a nível nacional, para que outras pessoas se interessem. Por exemplo, na Caatinga.

 2) Você acha que as pessoas, sobretudo os proprietários de terra, em geral, sabem o que é uma RPPN e que qualquer cidadão pode criar uma?

Não, falta muita informação e difusão. Aqui, por exemplo, falta informação até mesmo nos órgãos públicos relacionados ao tema. Eles não sabem nem o que significa unidade de conservação, imagine o que é RPPN. Falta muita coisa, primeiro, pela falta de divulgação, as pessoas precisam saber o que realmente existe a nível de preservação pra eles poderem atuar. Segundo, não existe incentivo das pessoas competentes, no sentido de apoiar, estimular esse pessoal que tem um pedaço de terra e quer preservar.

 3) Como e quando surgiu o seu interesse em criar uma RPPN?

Apesar da minha formação acadêmica, minha formação principal é roceiro. Não sei se você sabe o que é isso, mas o roceiro é a pessoa que lida com roça, que gosta da roça, gosta de tudo do  meio rural. Essa é minha formação principal. Então, partindo dessa minha formação vem aquela outra vontade de preservar aquilo que está à nossa volta, mato, bicho, água, e por ai vai…

Estudei como eu poderia fazer para criar uma unidade de preservação em um sítio pequeno. A solução era a RPPN, que eu, sinceramente, há dez anos, nem sabia o que era. Há mais ou menos oito anos comecei a escrever o projeto para criar uma unidade de conservação. Hoje em Sergipe só existem 10 unidades de conservação. Eu era carente de informação e, principalmente, de recursos financeiros para criar uma RPPN. Tinha o principal, a propriedade, e junto, a vontade de conservá-la e deixar para a posteridade. Nisso apareceu o Programa de Incentivo às RPPNs como um anjo. A partir daí demos o pontapé inicial para o projeto.

 4) Você teve dificuldades para a criação da sua RPPN?

Tive inúmeras dificuldades e continuo tendo para manter e concluir o plano de manejo. Muitas dificuldades na criação por causa da burocracia – que ainda existe, por parte dos órgãos legalmente constituídos. Ao invés de estimularem, eles barram os processos de criação. Mas pra quem quer, e realmente tem vontade, essas barreiras no momento oportuno tornam-se um desafio estimulante.

 5) Como você conheceu o Programa de RPPNs da Mata Atlântica? Qual foi o seu interesse em participar do edital?

Um amigo que fez algumas matérias da graduação comigo ligou pra mim e afirmou que trabalhava numa ONG aqui em Sergipe. Me informou que existia esse edital aberto, procurei as informações, me cadastrei e fui contemplado. Criar a RPPN, buscar incentivo e ajuda financeira foram os meus principais interesses.

 6) Quantas edições você já participou? Quantas você ganhou?

Já participei de 4 editais e desses 4, fui contemplado em 3. O 1° pra criação da RPPN da Dona Benta e o outro pra criação da Lagoa Encantada. O 3° foi pra confecção do plano de manejo da Dona Benta e o 4° foi pra confecção de plano de manejo da Lagoa Encantada, que não foi aceito.

 7) Qual sua opinião sobre as atividades realizadas?

Não conheço outros editais. Creio que existem, mas eu não conheço. Essa iniciativa da CI-Brasil e da SOS Mata Atlântica é louvável, eu diria que ímpar no que diz respeito aos incentivos fornecidos aos pequenos proprietários rurais. Muitas vezes nós temos vontade de criar, mas não temos condições financeiras de bancar os custos que a criação tem. Depois da criação, ainda temos os custos de manutenção, que também podem ser auxiliado pelo Programa de RPPNs. Ainda é, eu creio, a maior iniciativa no Brasil pra apoiar a criação destas unidades de conservação.

 8) Você pretende participar de novas edições?

Pretendo sim, com certeza. Tenho mais terras que pretendo transformar em RPPN. Estou tentando adiantar com recursos próprios.

 9) Tem alguma história interessante que você queira compartilhar sobre a RPPN?

O nome Dona Benta e Seu Caboclo é inspirado na literatura de cordel. Quando se fala em comunidade rural, tem muita ligação com a natureza, a cultura local e a literatura de cordel. Essa foi uma alternativa que criamos na comunicação com a comunidade do entorno.  Começamos com histórias existentes do Morro da Lucrécia, que tem a ver com a cultura local e com  a RPPN. Dona Benta e Seu Caboclo é outra história bem bonita e local.  Procuramos colocar isso na literatura de cordel, que é de fácil comunicação e as pessoas entendem a nossa mensagem. É uma estratégia que sempre dá certo.

É bom ressaltar também que antes mesmo da propriedade ser transformada em RPPN, ela já era totalmente preservada. Inserimos a comunidade do entorno em todas as atividades que pretendíamos desenvolver na propriedade. Uma delas é o Ecoturismo, pois ajuda tanto o meio ambiente, como  a comunidade. Depois, quando criamos a RPPN, iniciamos a divulgação agregando o nome da RPPN à unidade de conservação em si, buscando maior visitação. Servimos também de modelo para que os vizinhos possam seguir o mesmo exemplo de criação e preservação daquilo que eles têm. A visitação aumentou, tivemos a necessidade de fazer algumas melhorias nas casas que fazem parte da fazenda, buscamos nos adequar e participar de outros editais. Isso nos incentivou a criar um instituto, que leva o mesmo nome da RPPN, Dona Benta.

Sobre Reservas Particulares

Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) é uma categoria de unidade de conservação criada pela vontade do proprietário rural, que decide transformar sua terra em uma reserva e assume compromisso com a conservação da natureza.

As RPPNs são importantes para proteger as riquezas naturais e ambientes históricos, além de ajudar na preservação da água, na regulação do clima, na limpeza do ar, no desenvolvimento de pesquisas científicas dentre outros serviços ambientais. Atividades recreativas, turísticas, de educação e pesquisa são permitidas na reserva, desde que sejam autorizadas pelo órgão ambiental responsável pelo seu reconhecimento.

Dessa forma, muitas RPPNs geram renda e conhecimento em sua região, com atividades como ecoturismo, educação ambiental e artesanato.

O Programa de Incentivo às RPPNs da Mata Atlântica apoia através de editais os proprietários interessados em criar suas reservas particulares. O programa é uma parceria entre as ONGs CI-Brasil e Fundação SOS Mata Atlântica.  O programa completa 10 anos em 2013, tendo apoiado nesse período a criação de 361 novas RPPNs – sendo 194 já reconhecidas – e a gestão de outras 101 reservas já existentes. Saiba mais:

Programa de Incentivo às RPPNs

Como participar

• Outras informações: www.reservasparticulares.org.br ewww.icmbio.gov.br/portal/servicos/crie-sua-reserva.html