Leia a entrevista com o proprietário da RPPN Alto da Boa Vista

 

Belo Horizonte, 09 de maio de 2013 —

O Programa de Incentivo às  Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) da Mata Atlântica, parceria entre Conservação Internacional e Fundação SOS Mata Atlântica, está comemorando 10 anos em 2013! Nesse período o programa apoiou a criação de 361 novas reservas particulares – sendo 194 já reconhecidas – e a gestão de outras 101 reservas já existentes,  num total de 56 mil hectares protegidos. As RPPNs são unidades de conservação criadas pela vontade do proprietário rural, que decide transformar sua terra em uma reserva e assume compromisso com a conservação da natureza.

Como parte das celebrações do aniversário do Programa de Incentivo às Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) da Mata Atlântica a CI-Brasil publicará, por meio de suas mídias sociais até o fim do ano, entrevistas com proprietários de RPPNs que foram apoiados pela iniciativa. O nosso primeiro entrevistado é Helvécio Rodrigues Pereira Filho – Proprietário da RPPN Alto da Boa Vista I e II. Ele conta sobre a importância da conservação em terras privadas e como o Programa de Incentivo às RPPNs ajudou a transformar sua propriedade em uma área de ecoturismo. Além disso, você confere um vídeo com o depoimento do Helvécio e ao fim da entrevista, estão disponíveis mais informações sobre o Programa de Incentivo às RPPNs e sobre as reservas particulares. Boa leitura!

RPPN: Alto da Boa Vista I e II

Área: 118,00 hectares e 7,27 hectares

Município: Descoberto (MG)

Entrevistado: Helvécio Rodrigues Pereira Filho – proprietário

1) Para você, qual a importância das Reservas Particulares do Patrimônio Natural, as chamadas RPPNs?

Favorecer a conexão e o discernimento de floresta remanescente. Também para a produção de água, de sementes, ondulação do clima.

2) Você acha que as pessoas, sobretudo os proprietários de terra, em geral, sabem o que é uma RPPN e que qualquer cidadão pode criar uma?

Não! Muita gente não tem nem ideia. Por mais que o assunto esteja sendo disseminado, quando falamos em reserva, as pessoas relacionam com reserva legal. Então, pelo menos na minha região, eu tenho certeza que ainda tem muita gente que não tem conhecimento da realidade, e quais os decretos que regem uma RPPN.

3) Como e quando surgiu o seu interesse em criar uma RPPN?

Logo que eu comprei uma área, há mais de 20 anos, comecei a trabalhar no campo. Sou técnico agropecuário, e foi diminuindo cada vez o número de pessoas que trabalha no âmbito rural. Conforme investia na minha área, a agropecuária, percebia que não estava tendo resultado. Resolvi entrar no ramo do ecoturismo, porque eu tinha potenciais dentro da minha propriedade. Com isso, meu interesse na criação de uma RPPN cresceu.

4) Você teve dificuldades para a criação da sua RPPN? Se sim, quais?

Não. Na época que criei a RPPN não existia a exigência de georreferenciamento. Fiz através de um croqui. Desenhei, tirei foto aérea, fiz o desenho da planta da área.  Alguns anos depois fiz a segunda, e depois fiz a terceira. Foi quando eu concorri ao edital e fui selecionado para gerenciar toda a área.

5) Como você conheceu o Programa de RPPNs da Mata Atlântica? Qual foi o seu interesse em participar do edital?

Através da Associação de Reservas Particulares de Minas Gerais, fui informado pela diretora. Não estava muito ciente de onde alavancar recursos para a minha RPPN.

6) De quantas edições você já participou?

Quando eu li o edital do Programa de RPPNs da SOS Mata Atlântica e da Conservação Internacional (CI), achei diferente de todos os que eu já havia visto. Cheguei a montar o projeto para o Fundo Nacional do Meio Ambiente e Fundação Boticário. Porém, percebi que o edital do Programa de Incentivo de RPPNs da SOS Mata Atlântica e da CI não tinha muitas exigências burocráticas. A própria pessoa física poderia ser proponente, proprietário no caso.

7) Qual foi o apoio do programa à sua reserva?

Consegui aprovar três projetos no programa. No primeiro, de gestão, consegui construir um centro de visitantes, no valor de R$ 25 mil. Depois, consegui o de criação, que foi quando eu mapeei minha área detalhadamente, no valor de R$ 8 mil. E no terceiro, que foi de plano de manejo, recebi R$ 20 mil.

8) Como os recursos do edital ajudaram sua propriedade e a Mata Atlântica?

Na minha propriedade foi minha salvação. Eu não tinha nenhuma estrutura aqui dentro.

Em relação à Mata Atlântica, eu comecei a disseminar todo o ideal de criação de RPPNs. Hoje, para as pessoas, é muito significativo a questão de conservação. Elas viram que eu tive um apoio efetivo, um desenvolvimento razoável.

9) Qual sua opinião sobre as atividades realizadas?

A SOS Mata Atlântica e a Conservação Internacional foram a grande salvação. Se não tivesse sido o programa de incentivo eu não teria chegado aonde cheguei. Foi o grande estimulador do meu projeto de conservação, de educação ambiental, de turismo ecológico. Todos eles já tinham potencial, porque de qualquer forma as pessoas estavam explorando a região sem muita dinâmica. Agora, nós temos uma metodologia. Com meu último projeto de plano de manejo ficou mais detalhada e específica a utilidade e as normas que vamos usar. Posso dizer com toda certeza que o programa é excelente e tem tudo pra alcançar muitos objetivos. Acho fenomenal, muito interessante. Ajudou-nos muito com a  própria questão da conservação da Mata Atlântica.

10) Você pretende participar de novas edições?

Ah, claro! Pretendo sim. Na próxima quero programar o plano de manejo. Dentro do possível, realizar as atividades que planejei. Esse ano, abrindo um novo edital que contemple a gestão do plano de manejo, vou participar de novo e fazer um bom trabalho para ser selecionado novamente.

*** O Programa de Incentivo às RPPNs da Mata Atlântica agradece o Helvécio pelo depoimento e parceria!***

Confira o vídeo completo da entrevista clicando aqui

Sobre Reservas Particulares

Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) é uma categoria de unidade de conservação criada pela vontade do proprietário rural, que decide transformar sua terra em uma reserva e assume compromisso com a conservação da natureza.

As RPPNs são importantes para proteger as riquezas naturais e ambientes históricos, além de ajudar na preservação da água, na regulação do clima, na limpeza do ar, no desenvolvimento de pesquisas científicas dentre outros serviços ambientais. Atividades recreativas, turísticas, de educação e pesquisa são permitidas na reserva, desde que sejam autorizadas pelo órgão ambiental responsável pelo seu reconhecimento.

Dessa forma, muitas RPPNs geram renda e conhecimento em sua região, com atividades como ecoturismo, educação ambiental e artesanato.

O Programa de Incentivo às RPPNs da Mata Atlântica apoia através de editais os proprietários interessados em criar suas reservas particulares. O programa é uma parceria entre as ONGs CI-Brasil e Fundação SOS Mata Atlântica.  O programa completa 10 anos em 2013, tendo apoiado nesse período a criação de 361 novas RPPNs – sendo 194 já reconhecidas – e a gestão de outras 101 reservas já existentes. Saiba mais:

·Programa de Incentivo às RPPNs

·Como participar

·Outras informações: www.reservasparticulares.org.br e

www.icmbio.gov.br/portal/servicos/crie-sua-reserva.html