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Conservação Internacional faz expedição à Rota Vicentina, em Portugal

Equipe vai em busca de modelos de gestão e boas práticas para aplicar na Trilha Transcarioca, no Rio de Janeiro

 

Eles colocaram o pé na trilha dia 2 de novembro e vão caminhar mais de 100 quilômetros na Rota Vicentina, trilha que é referência na Europa em trilhas de longo percurso, mobilização de parcerias e integração para o desenvolvimento de turismo de natureza em nível regional. A equipe, formada por Adriano Melo, coordenador de projetos da Conservação Internacional (CI-Brasil), César de Castro, do canal de comunicação Atividade360, selecionado por editar para acompanhar a equipe, e Eduardo Oliveira, coordenador de segurança do Movimento Trilha Transcarioca, estão percorrendo cada trecho do "Trilho dos Pescadores" e parte do "Trilho Histórico" (assim chamado localmente) da Rota Vicentina em busca de inspiração de boas práticas de governança, gestão de voluntariado, manejo de trilhas, sinalização e, sobretudo, empreendedorismo. Durante os 8 dias de caminhada fazem reuniões com atores estratégicos da Rota, em sua maioria pequenos e médios empresários, voluntários e membros do comitê de gestão da associação Rota Vicentina.

O objetivo da expedição é aplicar a experiência do intercâmbio e as referências da Rota Vicentina ao longo da Trilha Transcarioca, no Rio de Janeiro, que já é considerada uma das maiores trilhas urbanas do país, com seus cerca de 180 km de extensão. A CI-Brasil faz parte do movimento Trilha Transcarioca e adotou dois trechos da trilha, com cinco quilômetros de extensão, na região do Parque Nacional da Tijuca. O movimento envolve centenas de voluntários que se espalham pela trilha para sinalizar, fazer manutenção da vegetação, envolver as comunidades para geração de renda e conservação da natureza. 

Além de inspiração, a Expedição Trilha Transcarioca na Rota Vicentina foi contemplada pela concorrida iniciativa Millennium Innovation Lab da Conservation International (EUA), que está apoiando o desenvolvimento de um aplicativo para a Trilha Transcarioca. A iniciativa estimula a geração jovem da organização para criação com inovação de projetos para a conservação da natureza.

Confira abaixo o relato da viagem até agora, feito por Adriano Melo, coordenador de projetos da CI-Brasil e idealizador da expedição:

Chegamos a um pouco mais do meio da expedição com 80Km percorridos no "Trilho dos Pescadores", na maior parte pelas falésias de tirar o fôlego que acompanham sempre a costa sudoeste de Portugal, protegida pelo Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Saímos de Porto Covo, passamos por Vila Nova de Milfontes, Almograve, Zambujeira do Mar, Arrifana e agora estamos em Carrapateira (na Pensão das Dunas, parceira da Rota).

 

A cada dia paramos em uma "aldeia", como chamam aqui os pequenos vilarejos. Aproveitamos para conversar bastante com os comerciantes locais, alguns associados à Rota Vicentina, outros ainda não. Todos conheciam bem a Rota e identificavam a presença de um novo público, aqueles com bastões em maõs, mochilas grandes, calças cargo e botas robustas. Com sorriso discreto foram unânimes em dizer que após a chegada da Rota Vicentina, seus negócios incrementaram, sobretudo, quando se é um associado, pois a partir disso se ganha mais visibilidade com o site da Rota, que por sinal recomendamos muito para consulta e estudo.  "Eu posso garantir que 50 a 60% dos meus clientes vem da Rota Vicentina", conta Nicolau, do Hostel Ahoy, parceiro da Rota Vicentina, em Porto Covo.

Caminhamos também pelo "Trilho Histórico", por áreas rurais, onde conhecemos outra realidade. Os moradores observavam com atenção a nossa passagem. "Gosto muito da passagem dos caminhantes por aqui, porque dá vida ao local e ajuda, o meu negócio e me faz feliz", explica Dona Riqueta, debruçada sobre a varandinha de sua charmosa pensão na pacata e muito pequena Aldeia de Bordeira.

Aproveitamos e conversamos com os voluntários que nos acompanharam por um dos trechos, sobre manejo de trilhas, praticidade e agilidade na manutenção da sinalização rústica, engajamento de pessoas e instituições pela causa. Entre uma curva e outra de contemplação e bate papo, surgiam casebres rurais, ovelhas, gado, árvores de cortiça, ora sob sol, ora sob chuva. Estranhamente, parecia que o tempo não passou por aqui.

 

"Após quatro dias na Rota Vicentina, como voluntário e adotante de trecho do Movimento Trilha Transcarioca, sem dúvida a experiência já tem surtido efeitos, abrindo novos olhares", disse César de Castro, do canal de comunicação Atividade360, que foi selecionado pelo edital da CI-Brasil para participar desse intercâmbio.

"Ainda temos chão pela frente e muitas conversas a fazer, mas já é possível dizer que a identidade e unidade desenhada para o território da Rota Vicentina, em apenas três anos, já gerou resultados claros na atmosfera empreendedora da região, que antes sofria muito com a sazonalidade do turismo", disse Adriano Melo, Coordenador de Projetos da CI-Brasil.

Trilha Transcarioca

O Movimento Trilha Transcarioca é formado por pessoas e instituições (públicas e privadas) que acreditam na filosofia do "conhecer para conservar" e nos impactos positivos sociais, ambientais e econômicos de trilhas de longo curso na região por onde as mesmas passam. No mundo existem diversas dessas trilhas, que geram experiências memoráveis para um público variado.

 Conservação Internacional

A Conservação Internacional (CI-Brasil) utiliza um conjunto inovador de ciência, políticas e parcerias para conservar a natureza que dependemos para sobreviver: alimentos, água e os meios de subsistência. A CI-Brasil é uma organização privada, sem fins lucrativos, fundada em 1987 e que atua em mais de 30 países com o objetivo de promover o bem-estar humano para garantir um planeta saudável e sustentável.
www.conservacao.org.br  

A CI-Brasil apoia o Movimento Trilha Transcarioca desde 2013. Em breve irá lançar junto com parceiros diversas peças estratégicas de comunicação para a trilha, tais como um guia impresso, um novo site, vídeo institucional e m aplicativo mobile, além da contratação de um estagiário de comunicação para suporte específico ao movimento.