Entrevista com o proprietário da RPPN Chácara Edith

 

Belo Horizonte, 20 de junho de 2013 —

O Programa de Incentivo às  Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) da Mata Atlântica, parceria entre Conservação Internacional e Fundação SOS Mata Atlântica, está comemorando 10 anos em 2013! Nesse período o programa apoiou a criação de 361 novas reservas particulares – sendo 194 já reconhecidas – e a gestão de outras 101 reservas já existentes,  num total de 56 mil hectares protegidos. As RPPNs são unidades de conservação criadas pela vontade do proprietário rural, que decide transformar sua terra em uma reserva e assume compromisso com a conservação da natureza.

Como parte das celebrações do aniversário do Programa, a Conservação Internacional está publicando até o fim do ano, entrevistas com proprietários de RPPNs que foram apoiados pela iniciativa. Esse é o quarto post da série. Conheça a RPPN Reserva Chácara Edith, que tem registro desde 1976, sendo considerada a mais antiga do Brasil, além de ter o título de primeiro posto avançado da biosfera de Santa Catarina. Saiba mais sobre a reserva e a conservação em terras privadas na entrevista com Wilson Moreli. Boa leitura!

RPPN Chácara Edith

Área: 415,79 hectares

Município: Brusque (SC)

Entrevistado: Wilson Moreli – Coproprietário da RPPN Chácara Edith

1)      Para você, qual a importância das Reservas Particulares do Patrimônio Natural, as chamadas RPPNs?

No conjunto, é muito importante para a natureza. Todos os córregos que nascem dentro da RPPN, os animais que convivem ali. Isso tudo é de uma importância imensurável.

2)      Você acha que as pessoas, sobretudo os proprietários de terra, em geral, sabem o que é uma RPPN e que qualquer cidadão pode criar uma?

Eu recebo escolas, universidades, estudantes que estão fazendo o trabalho de conclusão de curso… Inclusive está sendo feito uma tese de mestrado e doutorado sobre a flora dentro da propriedade. Quando as escolas vêm, fazemos uma apresentação, de 30 a 40 minutos, sobre o levantamento de animais e flora dentro da propriedade, e o que é uma RPPN. Acho esse trabalho muito importante, porque depois as crianças vão levar essas informações pra dentro de casa. A maioria vive no entorno, e não sabe o que é uma RPPN. Anos atrás, uma secretária de educação não sabia o que era uma RPPN. Tento, de todos os modos, ajudar a difundir o que é uma reserva protegida, e a importância dela pra cidade e pro Brasil.

3)      Como e quando surgiu o seu interesse em criar uma RPPN?

Aqui, desde 1976, já era uma reserva de animais nativos, depois a legislação foi alterada e passou para outro nome. No início de 2001, o prefeito da época baixou um decreto desapropriando toda a área para fazer ruas e loteamentos. Eu percebi que tinha que fazer alguma coisa. Corremos atrás das autoridades, mas ninguém sabia o que fazer. Nos orientaram a consultar também procuradores da república, e aí tivemos a ideia de transformar a propriedade em uma RPPN. Corremos atrás, e em praticamente quatro meses conseguimos registrá-la como uma Reserva Particular do Patrimônio Natural.

4)      Como você conheceu o Programa de RPPNs da Mata Atlântica? Qual foi o seu interesse em participar do edital?

Pela Associação das Reservas Particulares Catarinenses – RPPN Catarinense. Toda a RPPN, em cinco anos, deveria ter o Plano de Manejo. O edital apareceu, a coordenadora encaminhou, e foi aprovado.

5)      Quantas edições você já participou? Quantas você ganhou?

Só participei de uma edição.

6)      Qual sua opinião sobre as atividades realizadas?

Eu já conhecia a iniciativa antes de transformar a minha reserva em RPPN. Eu acho que é válido, e de grande importância. Eu até participei do projeto itinerante “A Mata Atlântica é Aqui”, da SOS Mata Atlântica, parceira da CI-Brasil no programa. Quando passou por Blumenau, fui  convidado, e também apresentei a nossa RPPN.

7)      Você pretende participar de novas edições?

Sempre ficamos sabemos dos editais, e se for o caso, entraremos sim.

Sobre Reservas Particulares

Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) é uma categoria de unidade de conservação criada pela vontade do proprietário rural, que decide transformar sua terra em uma reserva e assume compromisso com a conservação da natureza.

As RPPNs são importantes para proteger as riquezas naturais e ambientes históricos, além de ajudar na preservação da água, na regulação do clima, na limpeza do ar, no desenvolvimento de pesquisas científicas dentre outros serviços ambientais. Atividades recreativas, turísticas, de educação e pesquisa são permitidas na reserva, desde que sejam autorizadas pelo órgão ambiental responsável pelo seu reconhecimento.

Dessa forma, muitas RPPNs geram renda e conhecimento em sua região, com atividades como ecoturismo, educação ambiental e artesanato.

O Programa de Incentivo às RPPNs da Mata Atlântica apoia através de editais os proprietários interessados em criar suas reservas particulares. O programa é uma parceria entre as ONGs CI-Brasil e Fundação SOS Mata Atlântica.  O programa completa 10 anos em 2013, tendo apoiado nesse período a criação de 361 novas RPPNs – sendo 194 já reconhecidas – e a gestão de outras 101 reservas já existentes. Saiba mais:

- Veja mais em: https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=PpVBa_IwxMI