Entrevista com a proprietária da RPPN Serra do Teimoso

 

Belo Horizonte, 11 de julho de 2013 —

O Programa de Incentivo às Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) da Mata Atlântica, parceria entre Conservação Internacional e Fundação SOS Mata Atlântica, está comemorando 10 anos em 2013! Nesse período o programa apoiou a criação de 361 novas reservas particulares – sendo 194 já reconhecidas – e a gestão de outras 101 reservas já existentes, num total de 56 mil hectares protegidos. As RPPNs são unidades de conservação criadas pela vontade do proprietário rural, que decide transformar sua terra em uma reserva e assume compromisso com a conservação da natureza.

Como parte das celebrações do aniversário do Programa, a Conservação Internacional está publicando até o fim do ano, entrevistas com proprietários de RPPNs que foram apoiados pela iniciativa. Esse é o sétimo post da série. Conheça a RPPN Serra do Teimoso, em Jussari (BA), na entrevista com a proprietária Lucélia de Mello Berbert. Boa leitura!

RPPN Serra do Teimoso

Área 200,00

Município Jussari (BA)


Entrevistado: Lucélia de Mello Berbert – Proprietária da RPPN Serra do Teimoso

  1. Para você, qual a importância das Reservas Particulares do Patrimônio Natural, as chamadas RPPNs?

 A maior importância é a de conservar uma mostra do bioma onde a nossa RPPN está inserida. É um trabalho que fica para a posteridade, para as próximas gerações.  O bioma é perpétuo.

  1. Você acha que as pessoas, sobretudo os proprietários de terra, em geral, sabem o que é uma RPPN e que qualquer cidadão pode criar uma?

Não, nem todos sabem. Alguns não têm interesse porque não estão preocupados com a questão ambiental. Outros porque atualmente temos pouca divulgação. O programa de RPPN já foi bem mais difundido, hoje em dia ele está sendo pouco divulgado.

  1. Como e quando surgiu o seu interesse em criar uma RPPN?

A nossa reserva foi criada em 1997. Surgiu pelo interesse do meu marido, Henrique Berbert. Toda a família, principalmente a mãe dele, que era sócia majoritária junto com os outros filhos concordaram. Com isso fizemos o reconhecimento da área. 

  1. Você teve dificuldades para a criação da sua RPPN? Se sim, quais?

Na época tivemos. O processo demorou quase dois anos até sair a portaria de reconhecimento.

  1. Como você conheceu o Programa de RPPNs da Mata Atlântica? Qual foi o seu interesse em participar do edital?

Na época que criamos a RPPN meu marido era presidente da Associação de Proprietários de Reservas Particulares da Bahia e Sergipe – Preserva. Ele foi chamado para o lançamento do projeto em São Paulo, a convite da SOS Mata Atlântica e da Conservação Internacional, e participamos do 1° edital. Fizemos o projeto e fomos contemplados.

  1.  Quantas edições você já participou? Quantas você ganhou?

Fomos contemplados na 1°. Tentamos a 3°, mas não passamos. Depois desistimos e não participamos mais. No total, nos inscrevemos em duas e ganhamos uma.

  1.  Qual foi o apoio do programa à sua reserva?

 Nós tivemos apoio para o salário de dois guarda-parques, reforma na casa que havia na área para servir de auditório e implementação de trilhas.

  1. Qual sua opinião sobre as atividades realizadas?

Eu acho válido o que a Conservação Internacional (CI-Brasil) e a SOS Mata Atlântica fazem em relação ao programa de RPPN. É um incentivo principalmente para quem quer criar. Atualmente o processo de criação de RPPN não está difícil, eu já consegui, no período de 19 dias, reconhecer áreas como RPPN. O processo está mais rápido. Se o proprietário tem condições de pagar as despesas para poder fazer as medições do referencial exigido, o processo fica ainda mais rápido.

Quem atualmente quer criar uma RPPN tem condições de pagar as despesas. Acho que o Programa de RPPN da Conservação Internacional e da SOS Mata Atlântica deveria ajudar mais no manejo e na implementação dos planos das reservas. As pessoas estão criando, mas não estão tendo apoio nenhum para tocar adiante. A CI-Brasil e a SOS Mata Atlântica deveriam dar uma injeção de ânimo nos proprietários porque o grupo de RPPN no Brasil está totalmente desmotivado. Não está tendo uma boa dinâmica pela atuação da diretoria desde a gestão anterior, que está com muita dificuldade. Para mim é uma decepção. Estou tocando a minha RPPN sozinha, não tenho procurado o apoio de nenhuma organização não governamental  porque acho que estão deixando muito a desejar.

  1. Você pretende participar de novas edições?

Talvez eu participe dessa edição agora. O que eu mais almejo é o lançamento de um livro com todas as mais de 200 pesquisas da nossa RPPN – um sonho do meu marido. Tentamos em parceria com a Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus, mas não fomos contemplados. Gostaria do apoio para a publicação desse livro.