​Edições de Janeiro e Conservação Internacional lançam “Mata Atlântica – Uma história do futuro”

 

“Podemos deixar que uma faixa imensa do Brasil se esterilize, vire deserto, ossuário, tumba da natureza?” Carlos Drummond de Andrade, em trecho do poema ‘A Câmara Viajante’

Rio de Janeiro, 03 de fevereiro de 2015 —

Escassez de água, instabilidade climática e falta de solos férteis são apenas alguns dos impactos da atividade humana na Terra. Em “Mata Atlântica – Uma história do futuro”, de Fabio Rubio Scarano (Ph.D. em Ecologia pela Universidade de St. Andrews na Escócia) e a ser lançado pela Edições de Janeiro em parceria com a organização ambiental  Conservação Internacional – Brasil (CI-Brasil), a relação entre homem e natureza é apresentada de uma maneira singular e ao mesmo tempo poética com mais de 130 imagens da fauna, flora e também dos povos que habitam um dos mais ricos ecossistemas brasileiros.

Demonstrando uma visão otimista dos problemas ambientais enfrentados atualmente, o livro traz dados que chamam atenção para o desmatamento desenfreado que acontece no país. “A Mata Atlântica é hoje uma das cinco florestas mais ameaçadas do planeta. O que resta de sua cobertura original são apenas 12% e mesmo assim, a maioria formada por pequenas áreas de vegetação isoladas, com menos de 50 hectares”, alerta o autor Fabio Rubio Scarano.

Com uma das mais ricas biodiversidades do mundo, a Mata Atlântica comporta mais de 15.700 espécies de plantas, 2.200 espécies de vertebrados e 60% da população brasileira, ou seja, aproximadamente 100 milhões de pessoas que vivem ao longo de 17 estados brasileiros, do Ceará ao Rio Grande do Sul, passando por importantes centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro. Ao apresentar o mosaico de habitats e ecossistemas que compõe a Mata Atlântica, o livro alerta para a importância da conservação, visando a sustentabilidade e as possíveis formas de coexistência de aglomerados urbanos e sua matriz ecológica.

Em edição bilíngue, com textos em português e inglês, a obra também contempla o período anterior à chegada dos povos colonizadores ao Brasil, as transformações com a chegada da Corte Real e a institucionalização da ciência, até a fragmentação do bioma. O autor cobre desde povos tradicionais do bioma, com apoio autoral da mestre em Ciências Ambientais Renata Pinheiro e da doutora em Sociologia Larissa Mellinger, à atual predominância urbana. Com um capítulo dedicado especialmente ao Rio de Janeiro, uma das poucas metrópoles totalmente inserida na área da Mata Atlântica, o livro exibe imagens únicas de importantes nomes da fotografia como Luiz Claudio Marigo e Enrico Marone. “O Rio tem a vocação natural de ser um modelo de cidade sustentável. A história da Mata Atlântica está intrinsicamente ligada à história da própria cidade”, conta Scarano.

Muito mais que um livro relacionado ao meio ambiente e a arte, “Mata Atlântica – Uma história do futuro” aponta para a importância do bioma que concentra 70% do Produto Interno Bruto (PIB) e dois terços da atividade industrial do país, além de apresentar como perspectiva o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, que visa promover a cooperação entre instituições para restaurar o bioma em larga escala e garantir a restituição de ao menos 30% da cobertura original da Mata Atlântica. “Recuperar a Mata Atlântica é manter a diversidade cultural de nosso país”, conclui.

O livro homenageia o fotógrafo de meio ambiente Luiz Claudio Marigo, morto ano passado, com o trecho do poema “A Câmara Viajante”, de Carlos Drummond de Andrade. 

“A câmara hoje passeia contigo pela Mata Atlântica.

No que resta – ainda esplandor – da Mata Atlântica

Apesar do declínio histórico, do massacre

De formas latejantes de viço e beleza.

Mostra o que ficou e amanhã – quem sabe? acabará

Na infinita desolação da terra assassinada.

E pergunta: “Podemos deixar

Que uma faixa imensa do Brasil se esterilize,

Vire deserto, ossuário, tumba da natureza?”

 

Sobre o autor:

 

Fabio Rubio Scarano trabalha para a Conservação Internacional (CI) desde 2009. Foi Diretor Executivo da CI- Brasil e em 2011 tornou-se Vice-Presidente Sênior da Divisão das Américas. Em 2013, lançou o Centro de Sustentabilidade das Américas, uma unidade que atua no campo da ciência da sustentabilidade e promove parcerias em desenvolvimento sustentável. Scarano é graduado em Engenharia Florestal pela Universidade de Brasília e obteve seu Ph.D. em Ecologia na Universidade de St. Andrews, Escócia. É Professor Associado de Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro da Sociedade Linneana de Londres. Possui mais de 100 publicações científicas incluindo artigos em periódicos de grande impacto como Nature e Science. Foi um dos organizadores do livro Biomas Brasileiros: Retratos de um país plural, um dos agraciados na área de Ciências Naturais com o Prêmio Jabuti em 2013.

Sobre a Conservação Internacional:

Organização privada, sem fins lucrativos, fundada em 1987 com o objetivo de promover o bem-estar humano fortalecendo a sociedade no cuidado responsável e sustentável para com a natureza – nossa biodiversidade global – amparada em uma base sólida de ciência, parcerias e experiências de campo. Como uma organização não governamental global, a CI atua em mais de 30 países, distribuídos por quatro continentes. Em 1988 iniciou seus primeiros projetos no Brasil. Para mais informações sobre os programas da CI no Brasil, visite www.conservacao.org, o Twitter @CIBrasil e o Facebook www.facebook.com/ConservacaoInternacional.

 

Sobre o livro:

Título: Mata Atlântica – uma história do futuro

Autor: Fabio Rubio Scarano

Editora: Edições de Janeiro

Formato: 23,5 x 30,5 cm

Páginas: 272

 

Mais informações para a imprensa:

                      

Mauricio Bianco – mbianco@conservation.org / 21 2173-6366