Abrolhos integra estudo internacional sobre restrição à pesca

Pesquisa avaliou restrição à pesca em 87 áreas protegidas

Caravelas, 20 de fevereiro de 2014 —

Uma iniciativa internacional, envolvendo profissionais de 13 países, comparou 87 áreas marinhas protegidas no mundo todo, do ponto de vista da eficácia de políticas de restrição à pesca. O ponto escolhido no Brasil foi Abrolhos, o maior complexo de recifes de coral do Atlântico Sul, localizado no sul da Bahia e norte do Espírito Santo. Os resultados foram divulgados pela revista Nature no começo de fevereiro, e o biólogo responsável pela análise brasileira foi Rodrigo Moura, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – que realizou o trabalho em 2012. 

Segundo os números divulgados, a riqueza de espécies de peixes grandes em áreas protegidas é 36% maior do que nos locais onde a pesca é permitida. Já a biomassa (o peso total) também é afetada positivamente pela restrição: 35% maior pa peixes grandes e o dobro no caso dos tubarões.

“Nosso objetivo principal com a campanha Adote Abrolhos é mostrar a importância em aumentar a proteção efetiva da Região dos Abrolhos”, afirmou o diretor do programa marinho da Conservação Internacional (CI-Brasil), Guilherme Dutra, completando “esse estudo traz elementos importantes para se pensar novas áreas protegidas e mesmo a melhora de gestão em unidades de conservação já existentes”.

Em entrevista para a revista Pesquisa FAPESP, o biólogo Rodrigo Moura afirma que  embora tenha sido analisado um único ponto na costa brasileira, o estudo não perde em riqueza de informações, uma vez que Abrolhos inclui áreas com diferentes regimes de manejo. Segundo ele, a região abriga desde áreas “relativamente bem fiscalizadas”, onde a pesca é proibida desde a década de 1980, até áreas que são protegidas “no papel”, mas onde a pesca ainda é realizada abertamente. Outros estudos realizados em Abrolhos já comprovaram que as áreas sem pesca possuem maior quantidade de peixes, e que as reservas ajudam a manter o estoque pesqueiro das regiões adjacentes. Moura afirma ainda que o Brasil, como signatário da Convenção da Diversidade Biológica, está “devendo” ao mundo a criação de uma rede de áreas protegidas, representativa e bem manejada.

Leia também a matéria publicada pela Revista Pesquisa FAPESP em http://revistapesquisa.fapesp.br/2014/02/07/mares-desprotegidos/