PHDs formam centro de excelência em ciência na Amazônia

Programa de Pós-graduação em Biodiversidade Tropical do Amapá é único no país e já formou 60 mestres e doutores; Jovens profissionais são qualificados para a gestão efetiva do rico capital natural do estado

Macapá, 13 de abril de 2012 —

“Eu sempre quis estudar as florestas, desde o mestrado esse é o meu objeto de estudo”, confessa Leidiane Oliveira. Ela defendeu nesta quinta- feira (12/04) a tese de doutorado "Interações da Estrutura da vegetação com a topografia, solo e hidrologia na Floresta Nacional do Amapá". Essa paraense de 30 anos, formada em meteorologia, estudou no mestrado a Floresta Nacional de Caxiuanã, no Pará, até quando decidiu ir para o Amapá fazer o doutorado no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Tropical (PPGBio) para estudar a Floresta Nacional do Amapá. Mais conhecida como Flona do Amapá, esta unidade de conservação é a mais antiga do estado na categoria de desenvolvimento sustentável e tem mais de 400 mil hectares. “No doutorado, eu fui verificar a quantidade de biomassa e qual a contribuição de vapor d’água na atmosfera na Floresta Nacional do Amapá. O estudo mostrou que 45% da precipitação anual depositada na floresta é devolvida à atmosfera por vapor d, água, ou seja, como a gente fala, há uma ciclagem da água. Além disso, foi verificado que há 522 toneladas de biomassa por hectare na floresta. Informações que são importantes, tanto para a biodiversidade, quanto para o manejo da floresta, como para o futuro mercado de carbono e vapor d'água”, explica Leidiane. Hoje ela trabalha como professora na universidade estadual do Amapá e pretende continuar produzindo ciência no estado.

Para Daniel Neves, as dificuldades de infra-estrutura, acesso à internet, ainda comuns no Amapá foram um desafio a mais para a conclusão da tese "Influencia da vegetação na precipitação pluvimetrica sazonal do estado do Amapá: Um estudo de sensibilidade climática", cuja defesa acontece nesta sexta-feira (13/04).“Eu propus uma atualização no modelo de previsão climática, chamado de REGCM3 (em inglês, modelo climático regional), usando diferentes tipos de vegetação para o Amapá, ou seja, calibrar esse modelo de maneira mais atualizada para o estado. A complexidade do estudo exigia muito acesso a Internet, uso de computadores específicos, dificuldades a mais no Amapá”, confessa Daniel. “A partir das pesquisas desenvolvidas na tese, será possível em breve, começar a se criar cenários futuros de clima para a região, como será o clima no Amapá daqui a 50 anos, e assim apoiar a construção de políticas públicas e da gestão da biodiversidade do estado”, afirma Daniel, que também coordena o Núcleo de Hidrometeorologia e Energias Renováveis, do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA).

Os dois recentesdoutores fazem parte de um grupo de novos profissionais que o Amapá tem ganhado nos últimos anos graças ao PPGBIO. Para Helenilza Cunha, coordenadora do programa, o mais importante é a contribuição para a formação de recursos humanos no estado. “Os alunos dos nossos programas tanto de mestrado quanto de doutorado estão se estabelecendo aqui mesmo no Amapá. Eles estão na área do ensino, em consultorias, e todos estão empregados”, conclui Helenilza. Até o final de 2012, vão ocorrer mais cinco defesas de doutorado. Desde 2006, o programa já teve 60 alunos, entre mestrado e doutorado.

A Conservação Internacional é uma das criadoras do PPGBIO, dentro de várias ações que vem desenvolvendo no Amapá desde 2003, que vão além da criação e implementação de unidades de conservação, mas da criação de um pensamento local para lidar com a biodiversidade do estado. “Além da geração de conhecimento no estado, os novos doutores poderão contribuir para a gestão efetiva do rico capital natural do Amapá, gerando desenvolvimento econômico e social com bases sustentáveis”, afirma Patrícia Baião, diretora do Programa Amazônia da CI-Brasil.

PPGBIO- O Programa de Pós Graduação em Biodiversidade Tropical foi criado em 2006 através de uma parceria única entre a Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), a Embrapa Amapá, o Instituto de Pesquisa do Estado do Amapá (IEPA) e a Conservação Internacional do Brasil (CI-Brasil). O curso tem como objetivo gerar conhecimento sobre a biodiversidade amazônica, em especial do Amapá e contribuir para a gestão efetiva dos recursos naturais criando capacidade local. As linhas de pesquisa oferecidas são: 1) Caracterização da biodiversidade; 2) Gestão e conservação da biodiversidade; e 3) Uso sustentável da biodiversidade.

 

CONSERVAÇÃO INTERNACIONAL
A Conservação Internacional (CI) é uma organização privada, sem fins lucrativos, fundada em 1987 com o objetivo de promover o bem-estar humano fortalecendo a sociedade no cuidado responsável e sustentável para com a natureza – nossa biodiversidade global -, amparada em uma base sólida de ciência, parcerias e experiências de campo. Como uma organização não governamental (ONG) global, a CI atua em mais de 30 países, distribuídos por quatro continentes. Em 1988, iniciou seus primeiros projetos no Brasil e, em 1990, se estabeleceu como uma ONG nacional. Possui  escritórios no Rio de Janeiro-RJ, Belo Horizonte-MG, Brasília-DF e Belém-PA, além de unidade avançada em Caravelas-BA. Para mais informações sobre a CI no Brasil, visite www.conservacao.org;www.facebook.com/pages/Conservação-Internacional-CI-Brasil/231538486861792;  www.twitter.com/cibrasil www.youtube.com/cibrasil

 

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