​Conservação, produção e inclusão social: a Palma de Dendê como vetor de transformação do Centro de Endemismo Belém


Nos últimos dez anos, a palma de dendê, a oleaginosa mais consumida no mundo, ganhou maior visibilidade e incentivos na região nordeste da Amazônia com o zoneamento do cultivo e com o aumento de demanda mundial pelo óleo. Hoje quase 90% da produção nacional deste óleo é proveniente dessa região, localizada próxima à capital paraense e conhecida no meio acadêmico como Centro de Endemismo Belém. Se em países como Indonésia, Malásia e, mais recentemente, Peru, o dendê tem sido um vetor adicional de desmatamento e perda de biodiversidade, no Brasil, temos a oportunidade de contribuir para um modelo planejado e diferente - uma vez que há leis proibindo o desmatamento para plantio da palma.

Por isso, no Brasil o cultivo da palma de dendê oferece uma oportunidade para estabelecer um modelo sustentável para o setor, aliando produção agrícola, conservação do capital natural, geração de renda e inclusão social. A CI-Brasil acredita que é possível estabelecer um modelo de produção sustentável sem a nova derrubada de nenhuma árvore nativa da Floresta Amazônica.

A CI-Brasil atua no CEB desde 2007, fruto de uma parceria consolidada com o Grupo Agropalma, o segundo maior produtor de óleo de palma da América Latina. Nas propriedades da Agropalma estão os maiores fragmentos bem preservados do Nordeste do Pará: são 64 mil hectares de florestas entremeadas com plantações de palma. Com o monitoramento da biodiversidade nos fragmentos, a CI-Brasil promove o conhecimento da fauna e flora local e identifica as áreas prioritárias para sua preservação. Em 2008 e 2012 foram realizados dois diagnósticos por pesquisadores da Universidade Federal do Pará, com o apoio da CI-Brasil, que resultaram em artigos científicos e um vídeo de divulgação; e o próximo já está previsto para 2015.

Os resultados positivos alcançados nessa parceria têm impulsionado a amplificação da estratégia para além da Agropalma. Com o apoio de agências de financiamento como a National Science Foundation (NSF) e a Fundação Amazônia Paraense de Amparo à Pesquisa (FAPESPA), a CI-Brasil tem promovido estudos em outros locais produtores, como os da empresa Biopalma. Além do levantamento de biodiversidade, a CI-Brasil tem atuado no manejo de paisagem, na avaliação de políticas públicas e avaliação dos impactos da expansão dos cultivos de palma nas comunidades.

Nossos objetivos:

  • Analisar a influência da atividade da palma na região do CEB sobre: a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos; e os meios de vida e indicadores socioeconômicos da população;
  • Verificar como os mecanismos de governança local estão estruturados e apoiar oportunidades de melhoria a partir do diálogo;
  • Avaliar a implementação de políticas públicas para o setor da palma no CEB, analisando seus impactos, gargalos e oportunidades de melhorias;
  • Realizar uma análise regionalizada da paisagem na região como subsídio para propor melhorias no processo de uso do solo;
  • Criar uma plataforma colaborativa de dados para a palma de dendê no CEB;
  • Divulgar os resultados da parceria entre CI-Brasil e Agropalma visando sensibilizar os atores envolvidos para a produção sustentável de palma.

Parcerias: Agropalma, Universidade Federal do Pará (UFPA), USAID/PIRE - Partnerships for International Research and Education, National Science Foundation (NSF), Fundação Amazônia Paraense de Amparo à Pesquisa (FAPESPA).